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A Alice, uma querida amiga cibernética, está sempre a dar-me na cabeça por causa do meu “machismo” e aselhice. E eu gosto. Desta vez, Alice, prometo que não passo dos 200 kmh. A maior parte dos gajos não compra um carro, compra status. Como bem me conhecem, sou um bruto desbocado, absolutamente a cagar para o que parece bem. Quando tive essa possibilidade, comprei um carro, ou melhor um motor com carro à volta. O veiculus familiaris chega com facilidade aos 210, 220. Vai um gajo do norte, calmamente a 180 e vê sinais de luzes desesperados. Encosta-se à direita e vê os patos bravos dos BMW e Mercedes a pensar que vão muito depressa. Zézinho deixa-os vir até seu lado e depois acelera. 210, 220, 230, 240, 250 e já chega que aquela merda é um carro, não um fórmula 1. Fico a rir-me com o ar surpreso dos candidatos a Schumacher. Prometo, querida Alice, não repetir essa parvoíce este ano.

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Jovem estagiário.

por Fernando Lopes, 29 Jun 13

Não te preocupes, vais ter um emprego. Pago com dinheiro da CEE, o mesmo que vai ser usado para despedir o teu pai. O teu pai ganhava 1.500 euros, tu vais ganhar 600. Tem calma, vais andar enganado durante um ano ou dois. Quando os teus colegas mais novos acabarem os estudos, dir-te-ão que já aprendeste, está na hora de seres empreendedor e voar. Na verdade, contratarão os teus colegas, que se sujeitarão a trabalhar por 300. Mas nem tudo é mau. O teu velho pode decidir suicidar-se. Se o fizer de maneira discreta, enfiando o carro  contra uma parede, ficarás com a casa paterna paga; senão virás tu, os pais e o mano para a rua porque não têm dinheiro para a prestação e se declararam insolventes. Mas nada está perdido. O irmão mais novo, agora que concluiu os estudos, arranjou uma magnífica oportunidade de estágio por 150€. Como vês, está tudo a decorrer conforme o previsto. 

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A greve, um mecanismo de luta do Séc. XIX.

por Fernando Lopes, 27 Jun 13

Hoje, não fiz greve. Por medo, mas também por achar que é um modo de luta que deixou de fazer sentido. A greve é tolerada pelo poder, enquadrada num protesto organizado, sob a batuta dos sindicatos e seus controleiros. Não há rebelião, joga-se segundo as regras do inimigo, perde-se um dia de salário, ganha-se pouco mais que D. Quixote lutando contra moinhos de vento. Na Turquia e Brasil o povo está a lutar onde a luta deve ser travada, na rua, desafiando regras e convenções. Vivemos uma guerra social em que os algozes do poder não usam armas tradicionais, desafiam a Constituição e os mecanismos legais. Porque havemos de fazê-lo ordeiramente, como esperam?

 

Uma manifestação convocada pelo facebook fez cair a TSU. Acham que alguma greve conseguiria isso? Vivemos tempos em que o combate ao poder não pode ser feito pelos meios habituais. Querem-me na rua? Lá estarei, como sempre. Querem gritar? Gritarei a vosso lado. Mas não me peçam para ser comportado, previsível, ordeiro e acreditar na democracia parlamentar quando foi essa crença e respeito que nos conduziram a este beco sem saída.

 

Estou a imaginar os Danieis Oliveiras a alertarem para o perigo do anti-partidarismo. São uma versão moderna das nêsperas de Mário Henrique Leiria, continuarão a acreditar até serem tragados na voragem.

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Tenho trabalhado como um cão, o que nos dias de hoje não quer dizer a ponta de um corno: posso ser despedido amanhã. O esforço está altamente underrated, o que conta, mais que o empenho, é a aparência. Esse não é o meu jogo. Sinto-me profundamente deprimido, sem razão que o justifique. Apanhei uma constipação de cão, por causa de coisa nenhuma, e é ridículo andar a fungar e espirrar quando estão 30 e tal graus lá fora. Tinha de ir comprar uns calções para exibir às moças a perna peluda, mas não me apetece. Faltam quatro dias para ir de férias, mas nem essa perspectiva me anima. Envergonha-me um bocado ir exibir as banhas para o reino dos algarves, acho que vou fazer como o morcão do Goucha e só me deixo fotografar em t-shirt. É para isto que serve um blogue, escrevermos no nosso diminuto cantinho da net, o que nos vai na alma. Pode não trazer popularidade, leitores ou sorrisos, mas alivia comó caraças. Experimentem.

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A D. Maria afogava os gatos.

por Fernando Lopes, 26 Jun 13

Quase todas as casas de Álvares Cabral tinham um jardim e um quintal. Tínhamos um enorme limoeiro, que dava fruto até os galhos esgaçarem com o seu peso; couves para as galinhas ou sopa, hortelã, o galinheiro. A avó gostava dos ovos, “amarelinhos, não são como os do supermercado”, dizia.

 

Era raro matarmos uma galinha, e quem o fazia era sempre a D. Maria. Atarracada, descias as escadas para o seu quintal sempre de lado, com visível dificuldade. Vestia sempre uma bata muito suja, o cabelo muito curto aos caracóis, uma personagem um bocado ridícula.

 

Há 40 anos não havia “direitos dos animais”, pílulas para gatas ou cadelas, esterilização de machos ou fêmeas. De quando em vez, entre jarros, rosas de Santa Teresinha e hortênsias, uma gata vadia paria. Logo a D. Maria exercia o papel de controladora da população felina, afogando os gatinhos num balde. O horror sempre foi superior à curiosidade, nunca assisti à matança. Sinto-me tão amedrontado e impotente como quando em criança fugia para não ouvir os gritos dos gatinhos.

 

Preciso de correr para não sentir os clamores que vêm de todo o lado, numa tentativa de escapar à angústia que floresce nas ruas, entranha nas gentes e apodera de mim.

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Canibalismo.

por Fernando Lopes, 24 Jun 13

Interessante como a imprensa lisboeta canibaliza tudo, até festas populares. Se procurar nos jornais on-line com sede na capital, não existe uma única referência ao S. João, que ontem agitou milhares no Porto e em Braga. Em compensação, a marcha de um recôndito bairro lisboeta é notícia de interesse nacional.

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Sem palavras.

por Fernando Lopes, 24 Jun 13

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Sabes que te deves calar

por Fernando Lopes, 23 Jun 13

quando estás a dizer que não tens nada contra os musicais do La Féria, mas que no Porto devia haver espaço para novos dramaturgos e “clássicos” como Brecht e Beckett, e alguém te responde:

- O Beckham está na China! 

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O melhor baile era o de Miragaia.

por Fernando Lopes, 21 Jun 13

Tinha o meu bar favorito, “Menos que Zero”, um microcosmos inspirado em Gaudi. Baile e bandas populares à séria; foi lá que ouvi pela primeira e última vez o clássico, “Ó trabalho vai-te embora”. Cerveja e bifanas a preço low-cost muito antes de os camones popularizarem o conceito. Porrada da boa quando algum gabiru tentava apalpar uma moça local. Gajos vermelhos de bêbados. Mães que chamavam os rebentos dizendo: anda cá, filho da puta! Velhas a vigiar filhas casadoiras.

 

Ah, a nostalgia. Acho que vou tentar passar pelo baile de Miragaia.

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Gugu & Nani, Jet Bronze and Beyond.

por Fernando Lopes, 21 Jun 13

O meu amigo RG é um bocado tresloucado e é por isso que nos damos bem. Temos momentos Monty Python em abundância. Dada a impossibilidade de mudarmos de opção sexual devido a problemas de hemorróidas, rapidamente inventámos um negócio em que faríamos de gays para apreciar e melhorar o mulherio. Tudo isto imaginado ao telefone.

 

Um salão de beleza com dois middle aged gays, camisas brancas às bolas pretas como Cruella Deville, calças pretas e sapatos de verniz. Tudo bem cintadinho para exibir as numerosas curvas dos nossos corpos. Um especializado em “desinstalação do tapete persa”, vulgarmente conhecido como depilação genital, outro especializado em Jet Bronze, um coisa de que desconhecia a existência até ontem.

 

Depilávamos as pachachas e bronzeávamos as piquenas à pistola. Tudo bem abichanado para evitar suspeitas e maridos ciumentos. Até pensamos num cartão cliente que ao fim de 10 sessões ofereceria presentes distintos. Dildos para as com prática, cunnilingus para as virgueiras.

 

Isto merece ou não um prémio nacional de empreendedorismo? 

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