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A dança do camone.

por Fernando Lopes, 22 Mai 13

Por alturas de Abril inicia-se a grande migração anual do camone. Primeiro chega o camone de poupa grisalha, que se caracteriza por andar em bando dentro de autocarros coloridos, ter idade avançada e fazer-se acompanhar por imensos companheiros de migração. Trazem sempre uma guia que ajuda no check-in, a descer do autocarro e inicia nos hábitos dos indígenas. O camone de poupa grisalha não é dado a improvisos e cumpre rigorosamente as normas. Se um sinal para peões está vermelho, espera pacientemente os 5 minutos que a coisa demora a mudar de cor. É um valor seguro.

 

Em Maio chegam exemplares mais novos, os camones de poupa loura. Acompanham-se da fêmea e ocasionalmente das crias. A bagagem resume-se a pequenas malas de mão permitidas pelas companhias aéreas low-cost. Mais dinâmicos e atrevidos procuram adaptar-se aos hábitos locais.

 

Hoje estava a observar o camone de poupa loura e o seu comportamento e adaptabilidade face aos disparatados tempos dos semáforos para peões na invicta. Fazem uma espécie de dança nupcial, plena de avanços e recuos face ao homenzinho vermelho que insiste em permanecer na mesma cor. Observam pasmos os movimentos de toureio com que os locais ignoram carros e sinais. Depois, seguem-nos, desajeitados como qualquer principiante. No momento que chegam sãos e salvos ao outro lado da rua, sorriem façanhudos. Convido-vos a prestar a maior atenção a este fenómeno tão português do toureio de semáforos e à reacção dos visitantes a esta tradição lusa. Olé!

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