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Foto: BLITZ (Hugo Sousa)

 

Quando soubemos que os Jáfumega iriam actuar nos Coliseus, o caçula veio logo com ideias. A verdade é que gosto(ava) bastante da banda e white reggae em geral. Um dos factores que nos fez recuar foi o preço dos bilhetes: 35 euros é francamente caro para os tempos que correm. Um colega que presenciou o evento referiu-me um concerto morno, com a casa longe de estar cheia. Como sou bonzinho vou explicar tintim por tintim as razões do insucesso:

 

- É preciso ter a noção do valor. O saudosismo não é per si algo que nos faça perder o amor à carteira. As melhores bandas do mundo, vindas do caralho mais velho, cobram o mesmo;

 

- Lugares sentados na plateia. Foda-se pá, sei que os fãs da banda já estão um bocado cotas, mas pôr cadeiras num concerto pop é como dizer a um geronte que está em belíssima forma e oferecer-lhe um andarilho;

 

- A puta da mania que os meninos têm de brincar aos arranjos novos. Se se querem masturbar é convosco, mas não o façam em público. Aquilo é uma romaria de saudade, a malta vai lá para recordar como soavam as músicas quando éramos jovens, não para assistir a novos arranjos xpto.

 

P.S.- Este post vai ser publicado quando o concerto de Lisboa estiver a terminar. Para não desiludir ninguém e porque não quero ser considerado má-lingua. Outra visão aqui.

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O bebé nº 59.

por Fernando Lopes, 29 Mai 13

Há histórias que nos tocam um pouco mais fundo porque somos pais. Assisti ao vídeo duas ou três vezes, entre o aterrado e perplexo. Em vez de chamar horrores à mãe tento compreender o seu drama. Vejo no pequeno uma lição de vida, resistência, tenacidade. Bem-vindo a este mundo, rapaz. Que o futuro te seja dócil, já que nele entraste de modo tão atribulado.

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Fumar peúgas Lassie.

por Fernando Lopes, 28 Mai 13

Sou criterioso com o que fumo. A mudança de marca pode causar tosse extra, vómito, amargo de boca. Depreendo que o organismo se habitue a certos tipos de tabaco e doses regulares de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono. Ontem, tive de recorrer a uma marca de substituição. Maldita a hora. Parece que ando a fumar peúgas Lassie com 15 dias de uso. Mesmo os não-fumadores imaginarão o desconforto do paladar a chulé permanentemente instalado nas papilas gustativas, invadindo o sistema respiratório.

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Um domingo perfeito.

por Fernando Lopes, 27 Mai 13

Pelas 11h resolvi convocar a maralha para um passeio pelo Parque da Cidade. Como não tínhamos levado pão para dar aos patos na passada semana, perdemos uma boa meia-hora a cortar pão de forma seco em pequenos pedaços. Alimento para a bicharada preparado, passo número dois, convencer a mãe a acompanhar-nos.

 

Avenida da Boavista abaixo, à porta da “Cufra”, lembro-me do “picadinho”, um enorme hamburger feito à mão que leva quase uma vaca inteira. A última vez que lá estive, acompanhava-me um colega moçambicano, paradoxalmente de nome Albino, que tinha ficado a olhar para o tamanho da coisa com ar incrédulo.

 

- Vocês comem isto tudo?

- Manel, com calma e vais ver que também consegues. Conseguiu.

 

Passeámos pelo parque, demos pão aos patos, fiz um brilharete com a Matilde ao alimentar gansos à mão. Tenho a impressão que errei na profissão, seria um tratador de animais fora de série.

 

Na subida, paragem para o “picadinho”. Com grande dor minha, a chefa da casa não consegue comer 300 ou 400 gramas de carne de vaca. Solícito como é meu timbre, ofereci-me para ajudar. Passar pelas brasas no sofá e ver o Vitória, meu segundo clube por causa de uma enorme teia de amizades vimaranenses, ganhar a Taça. Um domingo perfeito.

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Resumo da época.

por Fernando Lopes, 26 Mai 13

A culpa foi tua, filho da puta.

 

Óscar Cardozo para Jesus

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Comprar assinaturas em vez de arte.

por Fernando Lopes, 25 Mai 13

Grande parte da sofisticação que por aí anda é de pacotilha. É assim com a cozinha gourmet, com as provas de vinhos cegas em que pretensos especialistas se espalham ao comprido. Vivemos no tempo do parecer e não do ser, daí que não me surpreenda que variações sobre Paula Rego e Palolo tenham passado incólumes por um enorme crivo de peritos. É tudo falso senhores, porque vocês mesmo são falsidades inexistentes.

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Pai, compras-me MEMOFANTE?

por Fernando Lopes, 24 Mai 13

8:20. Enquanto nos deslocamos no percurso casa-escola, a música do rádio é interrompida por publicidade. Um anúncio descreve as maravilhas que MEMOFANTE faz pela memória, para estudantes, idosos e esquecidos em geral.

 

- Pai, compras-me MEMOFANTE?

- Filhota, é um remédio para adultos, para ser tomado por idosos, pessoas que andam na faculdade e assim. Os miúdos não podem tomar medicamentos que não os que o médico receita.

- E não há MEMOFANTE para miúdos?

- Não, só para adultos.

- Está mal. Assim eu tomava MEMOFANTE e decorava a tabuada toda num instante. Tenho a certeza que todos os meus amigos iam pedir aos pais! 

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Genuinamente mau.

por Fernando Lopes, 23 Mai 13

Não sou ingénuo, a vida já me deu a conhecer doses elevadas de filha da putice. Embora não a tolere, tento compreendê-la quando tem um desígnio. Continuo a ser surpreendido pela maldade genuína, sem causa ou proveito. Do miserável que só se consegue elevar em cima de cadáveres alheios, porque outras qualidades não tem que as duas caras e o mover-se com à-vontade nos meandros da intriga e disso fez vida e carreira. O carácter e a frontalidade são coisas muito bonitas, mas inatas. Quem nasceu e se criou no meio do lodo, nele há-de sufocar.

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A dança do camone.

por Fernando Lopes, 22 Mai 13

Por alturas de Abril inicia-se a grande migração anual do camone. Primeiro chega o camone de poupa grisalha, que se caracteriza por andar em bando dentro de autocarros coloridos, ter idade avançada e fazer-se acompanhar por imensos companheiros de migração. Trazem sempre uma guia que ajuda no check-in, a descer do autocarro e inicia nos hábitos dos indígenas. O camone de poupa grisalha não é dado a improvisos e cumpre rigorosamente as normas. Se um sinal para peões está vermelho, espera pacientemente os 5 minutos que a coisa demora a mudar de cor. É um valor seguro.

 

Em Maio chegam exemplares mais novos, os camones de poupa loura. Acompanham-se da fêmea e ocasionalmente das crias. A bagagem resume-se a pequenas malas de mão permitidas pelas companhias aéreas low-cost. Mais dinâmicos e atrevidos procuram adaptar-se aos hábitos locais.

 

Hoje estava a observar o camone de poupa loura e o seu comportamento e adaptabilidade face aos disparatados tempos dos semáforos para peões na invicta. Fazem uma espécie de dança nupcial, plena de avanços e recuos face ao homenzinho vermelho que insiste em permanecer na mesma cor. Observam pasmos os movimentos de toureio com que os locais ignoram carros e sinais. Depois, seguem-nos, desajeitados como qualquer principiante. No momento que chegam sãos e salvos ao outro lado da rua, sorriem façanhudos. Convido-vos a prestar a maior atenção a este fenómeno tão português do toureio de semáforos e à reacção dos visitantes a esta tradição lusa. Olé!

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Há uma idade certa para morrer?

por Fernando Lopes, 21 Mai 13

Hoje assisti ao funeral da pessoa mais velha que me foi dado conhecer, um tio-avô da minha mulher que celebrara 101 anos. Apesar de consternado, o ambiente era de resignação. “Viveu uma longa vida”, tinha uma “bonita idade” e essas banalidades que pairam sobre as exéquias. Ocorreram-me uma série de questões. Haverá uma idade certa para morrer? Lembrar-se-ão os vivos que na idade média raros ultrapassavam 50? Apenas uma geração atrás, 80 anos era uma idade vestusta, hoje vemos octogenários vigorosos e com as capacidades intelectuais em pleno. Será que com o avanço da medicina nos tornaremos homens-biónicos, em que a “bonita idade” serão os 120? Como vão os nossos filhos tolerar e simultaneamente usufruir desta longevidade crescente? Está a sociedade preparada para isso? Só tenho questões e uma certeza: Se houver céu, vou lá encontrar o tio. Vamos petiscar, beber tinto e vibrar com as vitórias do nosso F.C. Porto. 

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