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Já não há almoços de domingo.

por Fernando Lopes, 28 Abr 13

Em solteiro, como viva com os avós, passava o fim-de-semana em casa dos pais. A estada incluía a muito esperada farra de sábado à noite e almoço de domingo. Quando me casei, já sem pai e avô do lado dos vivos, alternava entre a casa dos sogros e, uma vez por mês, a mãe juntava-nos. Eram almoços de ausência, pois por esta ordem, filho e pai tinham desaparecido em seis meses. Havia sempre ternura pelas três viúvas – a mãe e as avós – e uma sensação de ausência e angústia.

 

Após uma incompatibilização com o meu sogro, a tradição passou para casa da avó da minha mulher, matriarca de créditos firmados ao longo de 93 anos de vida. Com o agravamento do seu estado de saúde, abdicámos de sobrecarregar a empregada que já não tem uma vida nada fácil ao ter de tratar de uma nonagenária com saúde frágil.

 

Os celebrados almoços de domingo, com tripas, cozidos e bacalhaus vários, deixaram de existir. Três gatos pingados, almoçam tarde e sem entusiasmo. Como em tudo, o tempo corrói. É agora mais triste o meu domingo. Quem ainda se reúne em família e entre gerações, tire desses encontros o máximo proveito, pois como tudo, também esse momento de união irá enfraquecer, e tendencialmente morrer.

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