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Estória do pré 25 de Abril.

por Fernando Lopes, 24 Abr 13

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pai, por afazeres profissionais, passava a vida entre o Porto e Londres. Como secretário da Câmara do Comércio Luso-Britânica acompanhava e intermediava missões comerciais entre a ilha e o continente. Era um apaixonado por livros e pintura. As suas horas vagas eram passadas no escritório entre livros, máquina de escrever e pincéis. Numa das suas viagens a Londres comprou um livro em inglês sobre a pintura russa no séc. XX.

 

Era um homem de esquerda, não alinhado, e adivinho que a aquisição se deveu mais ao interesse em arte que em política. No entanto, o simples facto de trazer um livro sobre pintores russos foi o suficiente para ficar detido no aeroporto e uma breve passagem pela PIDE.

 

Serve este episódio menor apenas para recordar o quão estúpido era o regime a que alguns ousam tecer póstumos elogios. Se algum palhaço me disser que era preciso outro Salazar, palavra de honra que lhe prego dois tabefes. 

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