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Marginalidades.

por Fernando Lopes, 26 Fev 13

Sempre me encantou a boémia e os marginais. Estar na margem, é ver o rio passar, ordeiro, e rir-se daquela força que impele a água para o mar. É andar ao contrário, criando um novo modo, inteiro, só nosso, que desce ou sobe as correntes a seu bel-prazer, alheio ao mundo e aos homens.

 

Porque carrego comigo uma personalidade borderline, estar à margem exerce um secreto fascínio. Não morri porque não consegui, não sou alcoólico ou toxicodependente por mero acaso. Só se consegue ser marginal se despojado de bens, confortos, convenções. Amo, por exemplo, Bukowski e Luíz Pacheco. Entre a bebida, sexo, pobreza, fome e percevejos, sentiram a necessidade de ser uma ovelha negra para falar com distanciamento do restante do rebanho. Admiro-os, porque também sinto necessidade de mandar tudo às malvas, viver sem regras, num mundo sem vassalos ou suseranos. Personalidades tortuosas, manipuladoras, capazes de grandes amores e enormes raivas, de uma falsa sinceridade ou sincera falsidade, tudo é jogo de luz e sombra.

 

Manga de alpaca de terceira geração, invejo-lhes a audácia, libertinagem, despojamento. Só me faltam duas coisas para ser um Bukowski ou Pacheco: talento e coragem.

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