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Quinta de formigas.

por Fernando Lopes, 30 Jan 13

Todos os dias, no jardim que delimita o interior da rotunda da Boavista, vejo uma mulher correr. Terá cerca de 40 anos, usa um fato de treino discreto. Desconheço o objectivo da senhora, mas o esforço é bem visível no rosto. Um círculo infindável. Não deixo de fazer uma analogia com a minha vida. Corro para levar a miúda à escola, para chegar a tempo ao trabalho, para almoçar, para recolher a cria, para jantar.

 

Se a nossa vida fosse observada do céu, por certo pareceríamos uma enorme colónia de formigas, laboriosas, movendo-se rapidamente de um sítio para o outro, sem sentido aparente. Um bailado patético destinado a assegurar necessidades básicas como abrigo e comida.

 

Corremos, como se pudéssemos fugir ao fado. E, no entanto, ele está lá, atento, rindo dos movimentos que fazemos para assegurar pouco mais que a sobrevivência e perpetuação da espécie. Como numa quinta de formigas.

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