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Manhãs.

por Fernando Lopes, 10 Dez 12

Detesto manhãs. Arrasto-me para a casa de banho. Escanhoo-me em piloto automático, amputando cirurgicamente pequenas partes do rosto. Tomo café mas permaneço a bocejar. Com inusitada frequência engulo elixir dentário. Como a coisa tem uma grande percentagem de álcool deverá ser o subconsciente a obrigar-me a um shot matinal. Não há dia mais difícil que segunda feira, sobretudo depois de um fim de semana com amigos, comida, festa, cinema. Sentado no escritório, a fumar o primeiro cigarro do dia, apetece-me que se abata sobre a cidade uma qualquer calamidade hollywoodesca. Lá fora, afadigadas fadas limpam o ranho aos rebentos, ajeitam gorros, colocam os carros a trabalhar. Uma mulher loira, com um pequeno pela mão, caminha sorridente. Deve ser uma pessoa das manhãs. Invejo gente que acorda feliz. Principalmente a uma segunda.

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Amour. O amor pode matar.

por Fernando Lopes, 10 Dez 12


[este post é um spoiler. Se pretende ver o filme, ignore-o.]

 

Um casal de octogenários, ex-professores de música, pessoas cultas e educadas, vivem uma tranquila existência parisiense, entre a música e os livros. São respeitados, e alguns dos seus alunos tornam-se executantes prestigiados de música clássica. Têm uma filha e um genro também profissionalmente ligados à música. Anne sofre um ataque que a deixa paralisada do lado esquerdo. Ao regressar a casa obriga o marido Georges, a prometer que nunca a irá hospitalizar ou colocar num lar de terceira idade. Este, cumpre-a, mas a saúde de Anne degrada-se novamente, ficando num estado semi-demencial, aprisionada a uma cama. Georges mantêm-se fiel ao seu amor, mas num momento de desespero, sufoca-a com a almofada. Veste-a, rodeia-a de flores com uma deusa e parte para não mais ser encontrado. Presume-se que se terá suicidado, ou simplesmente deixado morrer.

 

Um filme num ritmo lento, rodeado de pequenas cenas da vida doméstica, que nos deixa uma questão clássica: é legítimo que, por amor, desespero, egoísmo, ou uma combinação dos três, possamos terminar com a vida de alguém que nos é querido e perdeu a capacidade de decidir? É um acto de amor ou de egoísmo? Devemos prolongar a agonia de quem amamos pelo prazer egoísta de o(a) termos junto de nós por mais algum tempo? Responda quem souber. Eu não sou capaz.

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  • Fernando Lopes

    Esta não é totalmente surda, ouve muito mal mas re...

  • alexandra g.

    Uma bela albina, poderia ser gémea da gata da minh...

  • Fernando Lopes

    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

  • Anónimo

    Com a poupança que tens tido nos almoços comigo e ...

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