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Encruzilhada.

por Fernando Lopes, 26 Nov 12

Com os 50 a bater à porta, entendo finalmente o que pomposamente se designa por crise da meia-idade. Porque se compra um descapotável, passa a frequentar ginásios como se não houvesse amanhã, abandona o emprego para atravessar África de moto, troca um casamento estável por ninfas sem outra graça que não o que está à vista.

 

Um sentido de urgência faz-nos olhar para trás, analisar o pouco tempo que resta e, em muitos casos, viver o que se não viveu. É um pouco pateta, mas compreensível. Quantos anos nos restam com qualidade de vida e chama interior para cumprir quimeras? Poucos, muito poucos. Tudo se coloca em perspectiva. O que me fez chegar aqui? Que ganhei, de que abdiquei?

 

Estranhamente, tendemos a concentrarmo-nos nesse pequeno pedaço de futuro que nos aguarda e a ignorar o passado. É nesse equilíbrio instável entre o bom que está para trás e a meia dúzia de anos de futuro que restam que se desenvolvem as crises dos cinquentões. Como as borbulhas na adolescência parece uma fase inevitável de atravessar, que deixará sempre um sorriso e alguma amargura, uma época de inevitáveis balanços, em que se regista o deve e haver da vida.

 

Estou a atravessar a crise da meia-idade ou quê? :)

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