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Não é vergonha estar desempregado.

por Fernando Lopes, 19 Nov 12

Todos conhecemos alguém que recentemente perdeu o trabalho. A extinta classe média não se adaptou à “normalidade” da situação. Fala-se que fulano ou sicrano ficou desempregado como a situação fosse sinónimo de incompetência. Tudo é dito em surdina, para afastar a peçonha, num misto de comiseração e medo. Isto é particularmente notório nos que ainda não se aperceberam da precariedade em que vivemos, que acalentam ilusões de uma normalidade há muito perdida.

 

Vivemos um estado de excepção em que, como agora é vulgar dizer-se, há apenas uma linha a separar a aurea mediocritas e a indigência. Não há que ter vergonha de ser despedido, este duro facto não é sinal de incompetência ou preguiça. Muitas vezes não são dispensados os piores, antes os que se recusam a jogar pouco limpo, a engraxar o chefe ou o patrão, que tomaram posições políticas que sabiam ser de alto risco.

 

Enquanto este estigma não for superado continuaremos a assistir a chefes de família de saem de manhã para um trabalho que já não têm, a casais que não assumem o desemprego de um dos seus membros, a pais que não expõem a situação familiar de forma clara e inequívoca aos filhos. Estar sem trabalho não é vergonha, pode acontecer a qualquer um de nós. Quanto mais depressa se encarar a realidade mais rapidamente estaremos preparados para tentar superar esse momento negro.

 

Tudo o que desejo com este post é expressar solidariedade a quem está sem trabalho, dizer-lhe que não está só, que não é menos digno, capaz, humano. Que o meu coração e o de muitos está com ele, que o mundo não se divide entre quem tem trabalho e quem não tem. Estamos todos no mesmo barco.

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