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Memórias da escola primária.

por Fernando Lopes, 9 Nov 12

A minha escola primária foi um round, longo de quatro anos, em que ninguém podia ser eliminado por K.O. Quanto recordo estórias desse tempo, afiguram-se improváveis, mesmo para os da minha idade que frequentaram o ensino oficial. Vivíamos em regime marcial, temerosos e obedientes, sujeitos a sevícias inimagináveis. O facto de ter amigos desde a 1ª classe deve estar relacionado com o ambiente de pressão psicológica extrema a que estávamos sujeitos. Partilho hoje uma memória com 40 anos, e como a violência como método pedagógico pode ser de extrema eficácia. Uma grosa é uma medida que corresponde a doze dúzias (144) e que era principalmente usadas na aquisição de ferragens, parafusos e afins.

 

- Fernando, quanto é uma grosa?

 

- …

 

- Ouviste? Quanto é uma grosa?

 

- …

 

Bofetão de tal maneira forte que a cabeça de Fernandinho bate no quadro de lousa estrategicamente colocado à minha direita. Uma espécie de bilhar às três tabelas com o frontispício do aluno.

 

- 144.

 

O método era este. Tão violento que, pelo simples terror, memorizávamos tudo. Ainda hoje recordo quanto é uma grosa, a linha da Beira em Moçambique e outras informações absolutamente inúteis.

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