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O reino de Paga-E-Não-Bufes

por Fernando Lopes, 25 Out 12

Na ponta mais ocidental da Europa, rodeado de água por todos os lados menos um, está o reino de Paga-E-Não-Bufes. Os habitantes deste estranho reino, sempre que chamados a pronunciar-se sobre o governador que irá orientar a coisa pública, sofrem uma crise aguda bipolaridade. São espoliados sistematicamente ou pelo “animal feroz” ou pelo “lobo em pele de cordeiro”. Na essência, existem poucas diferenças entre estas duas espécies parasitárias. Ambas se alimentam de incompetência, compadrio e impostos, em doses a adaptar segundo as necessidades do momento.

 

Em tempos não muito distantes, os Paga-E-Não-Bufenses aderiram à comunidade dos Somos-Ricos-E-Não-Abdicamos. Entusiasmados com o dinheiro que chovia a rodos, oferta dos Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses, iludiram-se. Faziam tudo o que o outro reino lhe pedia. Não produzais têxteis, sapatos ou outros bens industriais; eles serão mais baratos se os adquirirmos aos Olhos-Em-Bico-Que-Trabalham-Por-Uma-Côdea; para quê incomodarem-se em tão aborrecido labor? Não vos preocupeis com os vossos campos e pescas; nós vender-vos-emos leite mais barato, bonitos vegetais que sabem todos ao mesmo, o vosso peixe será por nós pescado. Não vos canseis, dar-vos-emos um futuro de mel e ambrósia.

 

Os Paga-E-Não-Bufenses, ingenuamente caíram neste conto do vigário até ao dia em que lhes começou a ser cobrada a sua inércia. Pois vós que não fazeis a ponta de um corno, que quereis? Que continuemos a patrocinar o vosso ócio? Em vão reclamaram das belas carruagens bárbaras a que se tinham habituado e que lhes tinham sido vendidas pelos Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses. Procuraram devolver caríssimas máquinas de andar debaixo de água, absolutamente inúteis que lhes tinham sido impingidas apenas para fortalecer a indústria dos seus vizinhos. Tinham desbaratado milhões em serpentes de betão, criadas sob o pretexto de exportar algo que não produziam. As ofídias estavam agora sem vivalma, uma vez que os Paga-E-Não-Bufenses não tinham dinheiro para circular nas belas carruagens adquiridas a crédito sobre a promessa solene de que a creditícia fonte não iria nunca secar.

 

Emprestar-vos-emos dinheiro para pagarem o que nos devem; não se esqueçam dos nossos “multiplicadores orçamentais”: por cada ouro que vos emprestamos queremos um ouro e meio. Em estado de necessidade, aceitam, mesmo sabendo da impossibilidade de pagar tal dívida. Elegeram o “lobo em pele de cordeiro” em substituição do “animal feroz”. Substituíram um néscio por um inapto. Os Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses não renunciavam aos seus juros e permaneciam insensíveis às dificuldades dos Paga-E-Não-Bufenses, para saldar uma dívida que tinha sido feita para os fortalecer, deixando-os na sua completa dependência. O governador “lobo em pele de cordeiro”, ignorava o sofrimento do seu povo e estava mais preocupado em ficar bem visto junto dos Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses. No fundo sonhava com o dia em que se juntaria ao cherne, um ex-Paga-E-Não-Bufense que vivia agora no fabuloso reino vizinho. O povo que sofra, dizia o governador, não passam de uns piegas, anos e anos a viver à custa dos Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses.



Esta história não está ainda terminada. Os Paga-E-Não-Bufenses podem decidir entre:

a) correr com os vendilhões do templo, renegociar com os Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses as condições, pagar a sua dívida de molde a que não morram de fome, iniciando um novo modo de vida;

b) tornarem-se escravos da dívida e consequentemente dos Somos-Ricos-E-Não-Abdiquenses.

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