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Num dos meus intermináveis zappings insones, detenho-me na SIC Radical. O CEO da Domino's Pizza Austrália (Don Meij), visita lojas e franchisados como trabalhador anónimo, virgem nessa coisa de pizzas. Uma câmara escondida regista os momentos em que os "colegas" ensinam a fazer massa, cobertura, entrega e todos as fases porque passa o produto antes de chegar ao cliente.

 

Não sou ingénuo e sei bem que esta atitude de Meij é uma enorme manobra de marketing externo e interno. Vende uma imagem interna de preocupação com os empregados, de homem interessado nas dificuldades desses anónimos fazedores de pizza e nos clientes que servem, humanizando o topo da pirâmide corporativa que há muito deixou de ser pertença de seres humanos, passando a torre de marfim de totós saídos das escolas de gestão, cheios de MBAs e vazios de conhecimento prático.

 

Há no entanto, neste processo, algo de positivo. O chefe máximo de uma enorme empresa passa dias e dias no terreno, vislumbra talentos, esforços, dificuldades, ideias. Houve um tempo em que também em Portugal era assim. Goste-se ou não deles, os nossos Amorim, Belmiro, Saraiva, vieram de baixo e foram obrigados a conhecer os processos produtivos, as suas dificuldades. Com a maioria destes "capitães da indústria" na reforma, a sua substituição está a ser feita pelos filhos, nascidos a arrotar notas de 500€, estudos em universidades estrangeiras e profundos conhecimentos teóricos, pequenos seres alienados que não tiveram de fazer um percurso da base até ao topo. Estão nas empresas e no governo, esses tecnocratas. São O poder. Provavelmente uma descida à Terra, ainda que temporária e em ambiente controlado, traria enormes surpresas aos "teóricos da gestão".

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    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

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