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Portugal, um país de desdentados

por Fernando Lopes, 12 Ago 12

 

Sempre achei estranho não existir um plano de saúde oral amplamente divulgado ou dentistas ao serviço do SNS. Correndo o risco de estar a cometer uma imprecisão, a comparticipação nos tratamentos dentários será pouco mais que residual e a esmagadora maioria dos dentistas exercem medicina privada. Se pagamos impostos, se qualquer tipo de doença pode ser tratada através dos hospitais públicos, esta ilha privada e o lavar de mãos dos responsáveis pela saúde e higiene oral em Portugal deixam-me com a pulga atrás da orelha.

 

Recentemente perdi um molar, e já com duas falhas no teclado decidi por uma questão estética, mas sobretudo de saúde, considerar o implante do dente em falta. Preço da coisa entre 800 e 1.000 euros. Todos nós com mais de 40 sabemos da enorme evolução da medicina dentária, dos milagres que os dentistas operam, eu que sou do tempo em que ir a um consultório dentário era um momento de puro terror e as probabilidades de sair de lá com um dente a menos elevadíssimas. Porque fiquei espantado com a exorbitância do preço, decidi investigar o custo real de um implante. Dito em surdina, dificilmente ultrapassará os 200 euros. Grosso modo cada implante significa mais de 600 euros na carteira do dentista, um lucro de 300%. É o mercado a funcionar, em todo o seu esplendor. Tratar dos dentes, um luxo acessível a poucos. Mas o lobby deve ser tão poderoso que não me lembro de ter ouvido algum ministro da Saúde abordar esta questão de uma forma séria, excepção feita a uma publicidade ao cheque dentário, que desapareceu como um cometa.

 

Com a actual crise e os cortes que todos sofremos, arriscamo-nos a ser um país não de sorriso amarelo, mas de desdentados.

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