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A gaivota urbana: mitos & realidades

por Fernando Lopes, 1 Ago 12

 

Como terão notado os mais atentos, floresce nas nossas cidades uma novel espécie de ave, a gaivota urbana. De aspecto similar à tradicional, tem como particularidades nunca ter visto o mar, alimentar-se de lixo, ser belicosa com outras espécies e usar o conteúdo intestinal como arma. Quem já teve o carro bombardeado com uma poia destes animais, um misto de cimento cola e ácido corrosivo, sabe bem do que estou a falar. Até aqui a descrição encaixaria em qualquer elemento de uma juventude partidária, dou isso de barato.

 

Mas, e nestas coisas há sempre um mas, ganhei um carinho especial por esta subespécie após assistir ao seu nascimento e desenvolvimento. Eu explico. O edifício onde trabalho, na zona da Boavista, é local de nidificação. Quando nascem, os pintos, se assim lhes posso chamar, parecem filhos de Robert Smith, dos The Cure. Pretos e totalmente desgrenhados.

 

Assisti à primeira muda de plumagem e às tentativas de voo. Estranhamente, julgam-se helicópteros e tentam inúmeras vezes o voo vertical antes de aventurarem para a frente. Igualzinho a António José Seguro.

 

Após o surgimento da segunda plumagem, que é cinzenta e não branca  (e o cinzentismo é aqui, pleno de simbolismo), face aos pais, parecem o nosso primeiro ministro junto da Sra. Merkel. Encolhem-se e tentam parecer mais pequenos do que realmente são para conseguir obter o vómito do bico dos progenitores. O juro que pagam não sei, mas por certo não lhes sai barato.

 

Impossível pois, não ganhar afecto a estes animais, que mimetizam na perfeição algumas das nossas figuras públicas. Ou será o contrário?

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