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Playboy Islâmica

por Fernando Lopes, 17 Jun 12

 

Na minha juventude fui consumidor da Playboy. À época só existia a edição brasileira, em que grandes divas do teatro, cinema e moda se despiam sem preconceitos. Montes de vénus bem anos 70 e 80, isto é, com pilosidades abundantes. Claro que também havia grandes entrevistas, com personalidades notáveis, mas isso nunca foi o leitmotiv para a compra da revista. O móbil sempre foram gajas nuas. Mamas. Rabos em forma de coração.

 

A edição portuguesa desapareceu, renasceu, mas continua a ser fraca no que deveria ter de notável. Mostrar as moças célebres de Portugal ao natural. A edição com Rita Pereira foi criticada por parecer um catálogo de lingerie. Pela capa, este mês não será substancialmente diferente. Não fosse o lettering e nada a distinguiria do catálogo da Intimissimi. Que se pode obter à borla ou consultar na net. 3.95 € para ver gajas em lingerie e nada de febra nacional? Caro!

Ambas as capas poderiam ser exibidas num qualquer quiosque da Arábia Saudita. E isso diz muito sobre a inocuidade das imagens. O comprador deveria vislumbrar carne, para se sentir compelido a comprar. Assim, caros editores, não vão lá. Aumentem o cachet, arranjem moças que se dispam ou dentro em breve serão mais uma empresa na falência. Como dizia o RAP, o que a malta quer ver quando compra a Playboy, é chicha.

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