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salve-se quem puder!

por Fernando Lopes, 16 Jun 12

Estou nos antípodas ideológicos de Morais Sarmento. Isso não me impede de lhe reconhecer coerência e capacidade de análise política. Ontem, verbalizou o que muitos intuímos. Após uma fase de apatia, passaremos à do salve-se quem puder. MS referia-se à Europa, mas julgo que tal se pode aplicar às pessoas. Tenho 49 anos e trabalho há 26. Nunca, neste longo período, assisti a uma ofensiva tão despudorada aos direitos dos trabalhadores.

A senhora que dorme cá em casa, trabalha numa base regular, mais de 50 horas por semana. Mais de 2 horas extra por dia, não remuneradas. Mais de 200 horas no banco de horas, o que na prática significa um mês e meio de férias extra, que nunca irá ser gozado ou pago. Perante isto, os patrões, empoleirados no medo do desemprego, fazem propostas obscenas como baixar salários. A quem trabalha mais 40 horas por mês, 12 semanas extra por ano. A desvalorização do trabalho proposta por António Borges, tecnocrata de má fama, há muito que existe nesta componente que descrevo.

Esquecem-se os patrões, nesta voragem de tudo querer, que um animal acossado, ataca. Não deverá faltar muito para surgir o serial killer do escritório ou da fábrica, que, desesperado, no desemprego, mata o chefe, e uns colegas pelo caminho. Os sociólogos vão fazer belas análises.

 

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