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Carpe Diem

por Fernando Lopes, 1 Jun 12

Tenho consciência de que este blogue têm andado sem graça, sem chama. A culpa é do PEC (Processo de Empobrecimento em Curso). Como acontecerá como muitos dos que me lêem, as exigências de trabalho são cada vez maiores e o dinheiro no final de mês menor. Isto partindo do pressuposto que fazem parte dos felizardos que ainda têm trabalho. Os patrões querem galinha gorda por pouco dinheiro e somos todos obrigados a trabalhar mais por menos. Não tive ainda um corte salarial, mas com os aumentos de impostos de Gaspar e C.ª despareceram-nos perto de 200 euros por mês.

 

Como família andamos longos anos a viver acima das nossas possibilidades. Comíamos alternadamente carne e peixe, deslocávamo-nos de carro, e ousadia das ousadias, passávamos 15 de férias na praia. Foram tempos que olho com saudade. Poder ir jantar sem ter medo da conta. Comprar roupa ocasionalmente. Ter uma casa confortável. Tudo luxos que, sabemos bem, irão acabar por imposição da troika. Quem me manda ter o hábito histriónico de tomar banho todos os dias? E a parva insistência que tenho em mudar de camisa para não cheirar a cebola?

 

Analisando friamente, temos muito pouco do que nos queixar. Trabalhamos, temos saúde e um rendimento muito acima da média. Por enquanto. O pilar de uma sociedade é a confiança nos contratos sociais que assinamos. Todos os acordos estão a ser quebrados, pelo governo e pelo patronato. Sem confiança ninguém gasta um cêntimo além do estritamente necessário. E isso gera o efeito dominó de falências que estamos a sentir. Infelizmente para nós e para o país, quando os boys do PSD se aperceberem deste facto de senso comum será demasiado tarde. A maioria do povo português estará à míngua. Até lá, carpe diem.

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