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as mulheres não se querem bonitas

por Fernando Lopes, 22 Mai 12

Trabalhava como amanuense enquanto ela prosseguiu os estudos. O namoro de adolescência, a descoberta do sexo, os laços criados, levaram-nos ao casamento na idade adulta. Era moreno e entroncado, ela loira e de pele muito clara. A relação seguia prazenteira, sem sobressaltos, segura, sólida. Fazia-a rir com as suas palhaçadas, enchia-se de espuma da barba e recriava o yeti, o número de homem orquestra. Ela iniciou uma carreira académica que muitos auguravam brilhante. Bonita, interessada, curiosa, inteligente e trabalhadora, rapidamente ganhou prestígio e o respeito dos pares.

 

Num dos jantares da academia acompanhou-a. Viu como brilhava, trocando piadas, citações, falando com desenvoltura de arte e literatura, nomes que nunca ouvira falar. Durante a conversa manteve-se em silêncio, fascinado com a crisálida que encantava a seu lado.

 

Esperou que ela fosse participar numa conferência. Encheu a velha carrinha com os pertences que lhe pareceram indispensáveis e partiu para um lugar onde sabia não ser descoberto. Ela era uma linda borboleta, ele um casulo escuro e sem graça. Na cama onde se amaram deixou apenas uma nota. "És melhor do que mereço". Ligou a ignição, e após um ruído  roufenho, arrancou. Sabia bem que quem ama verdadeiramente, tem o dever de libertar a pessoa amada.

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