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Café Luso

por Fernando Lopes, 8 Abr 12

Ontem, após jantar com um velho amigo, dei connosco no Café Luso, agora pindericamente rebaptizado de Caffé Luso. As minhas memórias deste estabelecimento são difusas, mas relembro um ambiente ecléctico, que unia sob o mesmo tecto a puta e o juiz, o estudante e o bêbado profissional. Como acontece com quase todas esta remodelações, o local perdeu toda a sua graça. É um local anódino, sem carisma, onde falta a tipicidade de uma fauna ou o cosmopolitismo que a remodelação faria antever. Assim uma coisa que não é carne nem peixe, onde não existem os republicanos dos finais dos anos 50 nem o ambiente deliciosamente decadente de inícios de 80. O velho Luso do discurso do General Humberto Delgado ou onde na minha juventude se atirava serrim ao chão para absorver a humidade e condensação em dias de chuva. Honestamente, uma remodelação de merda que extirpou a um café o que é mais importante, o ambiente e a pluralidade.


Outro expoente desses cafés alienígenas era o café Mouzinho. Em pleno caminho entre a ribeira e a baixa, era o local da última cerveja da noite, entre personagens sinistros, aparentemente tele-transportados de um filme de Tarantino, jovens estudantes a gastar os últimos tostões e velhos alheios a  tudo lendo o jornal, numa mescla de cheiro a suor, pito mal lavado, bagaço e haxixe. Sítio impróprio pois para narinas sensíveis. Tenho de (re)visitar o Mouzinho para verificar in loco se já aderiu à amaricada moda das duas letras ou se permanece um local de e para duros.

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