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A morte nas costas

por Fernando Lopes, 27 Mar 12

Nas minhas costas tenho sempre um lembrete da efemeridade. Rodando 180º, no meu local de trabalho, tenho vista para o cemitério de Agramonte. Belos jazigos em forma de capela, que mostram as glórias do reino dos mortos, aos vivos. Para que conste, ao contrário do que dizem, nem na morte somos todos iguais. Uns morrem e ficam à superfície, exibem arte, orgulho nas origens e terrenas fortunas. Outros, pobres, são escondidos debaixo da terra, em campa rasa. Não me lembro de ter confessado isto, excepto a meia dúzia de amigos mais chegados, mas aqui vai. Tenho um medo que me pelo de caixões ou ser enterrado. A experiência mais próxima que tive de estar num caixão, uma ressonância magnética. Enfiado naquele tubo, entrei em pânico. Só fiz o exame com recurso a anestesia. Uma coisa uma bocado mariquinhas, bem sei. Deixo aqui as minhas últimas vontades no que ao féretro concerne. Um caixão XXXL e um repouso não debaixo mas à tona da terra. O primeiro deverá ser facilmente exequível, para alegria de carpinteiros e cangalheiros. Do segundo 50.000 € me separam. Acho que vou aguardar. Sem pressas, que demora muito tempo a juntar tanta massa.

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