Saraiva
O pai foi secretário da Câmara do Comércio Luso-Britânica durante muitos anos. Foi atraiçoado pelo coração aos 54, mas conheço poucos portugueses que, como ele, andassem em Londres como em casa. As linhas do metro e do autocarro sabia-as de cor, tratava por tu os grandes museus e galerias londrinas, gostava do encanto decante do Soho.
Adorava contar histórias e piadas, entre elas esta, quase mítica que aqui vos deixo. Incapaz de jurar a sua exactidão, fica escrita ao sabor da minha memória.
Todos os anos se organizava na feitoria do Porto uma baile de gala, para a comunidade britânica e notáveis portugueses particularmente relacionados como os negócios e cultura da terras de sua Majestade. Para abrilhantar a festa, decidiram os organizadores contratar um mestre-de-cerimónias inglês, que, à porta do salão, recebendo os convites, anunciava na entrada de quem chegava à festividade.
Acontece que o "bife" não falava português e debatia-se com naturais dificuldades em pronunciar os nomes dos convivas nacionais. Pedia um pequeno apoio que gentilmente lhe era dado e anunciava os nativos. Deu-se o caso de não conseguir ler o nome de um dos convidados. O português gentilmente explicou-lhe que se chamava Saraiva. É anunciada ao salão, com pompa e circunstância, a chegada de Sir Aiva and Lady Aiva.










