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bilhetes de amor

por Fernando Lopes, 14 Fev 12

Hoje, dia dos namorados, vou partilhar um segredo. Sou um patarata romântico. Na televisão, uma senhora de idade que falava de cartas de amor, reavivou-me memórias. Numa capa arquivadora, com um fórmula 1 impresso, guardei durante 15 ou 20 anos todos os bilhetes e cartas de amor que me escreveram. Iniciei a hercúlea tarefa com 15 anos. Com um bilhetinho cheiro de erros da Anabela, a primeira rapariga que beijei e namorisquei. Coleccionei amores que seriam o último, paixões de festa de garagem, desejos hiper-libidinosos, linhas cruzadas, despedidas emocionadas. Cheguei a um tempo, já casado, em que pensei que preservar este "património" seria deselegante. Não sei o que foi feito destas notas de paixões fugazes. Guardo-as na memória com imenso carinho, testemunhos em papel de um tempo de juventude, amor e alguma inocência.

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É difícil ser ateu

por Fernando Lopes, 14 Fev 12

Tenho orgulho em ser ateu de segunda geração. Há 48 anos anos atrás o meu pai tomou a então difícil decisão de não se casar pela igreja e de não baptizar os filhos. Posso imaginar o significado desta atitude em termos de confronto social e familiar. Mesmo pessoas sem nenhuma convicção religiosa cedem ao peso das convenções.

 

Hoje em dia o estigma permanece e tive de fazer finca pé para não incluir a minha filha nas estatísticas que nos tornam um país de católicos. A seu tempo ela decidirá o caminho, livre e com apoio incondicional do pai, independentemente da opção que tomar. O catolicismo, forte no interior e entre as pessoas mais velhas, tornou-se hoje, nas grandes cidades, pouco mais do que "a religião tradicional". Cumpre-se o baptismo, em alguns casos a comunhão, apenas porque "é hábito".

 

Conheço pouquíssimos católicos activos e que sigam os preceitos tradicionais. A fé, ou a falta dela, o acreditar na vida para além da morte ou nalguma forma mística que não nos confronte com a vacuidade e inutilidade da nossa existência é terreno pantanoso. Compreendo a esperança na eternidade embora tenha dificuldade em aceitá-la. Vou deixar a minha filha encontrar o seu caminho. Cá estarei, se necessário, para amparar a queda.

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  • Fernando Lopes

    Esta não é totalmente surda, ouve muito mal mas re...

  • alexandra g.

    Uma bela albina, poderia ser gémea da gata da minh...

  • Fernando Lopes

    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

  • Anónimo

    Com a poupança que tens tido nos almoços comigo e ...

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