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D. Sofia

por Fernando Lopes, 22 Jan 12

A amizade une-nos desde a 1ª classe. Quatro mosqueteiros que 41 anos depois mantêm o espírito de miúdos reunindo-se frequentemente. Não conheço mais ninguém que desde a infância tenha mantido contacto regular com os colegas da escola primária. O que nos uniu? Que marcas são estas que se prolongam por toda uma vida?

Fomos educados numa escola particular em que nunca - leram bem - nunca, nenhum aluno tirou menos que Bom no exame oficial que éramos obrigados a fazer no final da 4ª classe. O método? O terror. A D. Sofia dava aulas às quatro classes ao mesmo tempo. Quatro filas, cada fila uma classe. Ao fundo o retrato de Marcello Caetano e Américo Tomás. Entre eles o mapa do império português.

Assisti a tareias incontáveis, levei os meus tabefes, reguadas, fui vítima da palmatória. Cada vez que éramos chamados ao quadro as pernas tremiam como varas verdes. A D. Sofia, baixinha e mamalhuda, fazia uso da violência com frequência inusitada. O medo era tal que um colega chegou urinar-se. De medo puro. Assistimos [e fomos vítimas] de actos de violência que, hoje, postos no youtube dariam prisão. Não imaginam o combate e a resistência que foi o nosso ensino primário.

Talvez por isso unimo-nos nesta adversidade, de tal forma que a amizade subsiste até hoje. Raramente evocamos esses tempos. Os momentos difíceis potenciam a solidariedade, o apoio, a entreajuda. Uma lição de e para a vida que faz tanto sentido hoje como quando em 1970 cheguei àquele ringue.

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    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

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