Sábado, 31.12.11

Os meus votos para 2012

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Fernando Lopes às 12:47 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Mexia Três Estações

Foto:Pedro Elias/Negócios

A personalidade firme, como a das osgas, nunca cessa de me surpreender. No noticiário da meia-noite da SICN vi António Mexia distribuir abraços e palmadas nas costas em doses industriais. De tal modo escandaloso que, estranhamente, até os jornalistas noticiaram. Exigir-se-ia que fosse cortês, educado, um mestre-de-cerimónias, nunca subserviente ou descaradamente graxista. Um homem que recebeu 3.1 milhões de euros de remuneração em 2009 não se desfaz em mesuras por dinheiro, mas por poder. São assim os nossos gestores, fracos com os fortes, fortes com os fracos.

O carácter de enguia do presidente da EDP fica bem patente nestas três situações:"é um nome que faz sentido", disse sobre a Eletrobras,visitou a Alemanha e a E.ON para assegurar a manutenção da presidência da EDP e concluiu que "é uma prova de ausência de preconceitos"o governo escolher a chinesa Three Gorges Corporation, e que "é a melhor decisão para Portugal e para a EDP."

Palavras para quê, é um sabujo português...

[Se não acredita em todas estas contradições, siga os links]

P.S. - Alguém reparou nos afectos de Mexia e hoje, dia 1, brindou-nos com este vídeo.

Fernando Lopes às 01:17 | link do post | comentar
Sexta-feira, 30.12.11

Figura do ano: O lagomorfo


Se 2011 fosse um horóscopo chinês, este seria, sem sombra de dúvida, o ano do coelho. Os portugueses substituíram um animal feroz, por outro aparentemente fofinho e inofensivo. Quem já lidou com esta espécie, sabe que apesar da aparência ternurenta, são implacáveis. Primeiramente, soltam caganitas por tudo o que é sítio. Estes bichinhos, são também, peritos em destruir tudo o que seja cablagem, deixando-nos sem corrente eléctrica, e, consequentemente, privados de todas as facilidades do mundo moderno. Ora, não restam dúvidas que o Coelho tem andado a largar poias indiscriminadamente, e em seguida, destruí-nos as ligações, pelo que Portugal inteiro está cheio de merda e sem energia.
Fernando Lopes às 13:17 | link do post | comentar | ver comentários (6)

2012 é em Guimarães!


Saber mais em www.guimaraes2012.pt

Fernando Lopes às 00:34 | link do post | comentar
Quinta-feira, 29.12.11

Série B

Circulo lentamente pela velha Nacional 202, que me levará de Valença a Monção. Ouço música alto, os Green Day e o seu manifesto anti-Bush, "American Idiot". Do lado esquerdo um reclamo luminoso, pisca, anunciando "London - Bar-Disco". Tem um largo que serve de parque de estacionamento. Inverto a marcha e estaciono. De perto o néon é ainda mais triste. Bato à porta e sou atendido por um tipo de farto bigode, e que, num fato preto um número abaixo do indicado, se assemelha mais a cangalheiro do que a porteiro de bar. Olha-me de cima a baixo e passa-me para a mão um cartão. Em ambientes estranhos, como fera acossada, procuro sempre um canto. Pelo bar circulam matronas avantajadas em vestidos reduzidos. Faço sinal ao barman e peço um uísque universal, Cutty Sark. No centro uma pista de dança circular, a bola de espelhos, luzes diversas e o clássico varão de strip-tease. Nela abanam-se languidamente três mulheres, já todas passaram dos 35. Saracoteia-se também um sessentão barrigudo que convive com o à-vontade dos clientes habituais. Ainda antes de começar a beber aproxima-se um rapariga pequena e roliça, com um ar mestiço.
- Cê quer companhia, me paga uma champagne?
Educadamente declino, digo que apenas quero beber um copo sossegado.
- OK, cê é qui sabi.
E sai dali abanado um reconchudo rabo, como que a exibir o que estou a desperdiçar. Pelo canto do olho noto olhares vigilantes, conversa baixa, a comentar a minha presença. Não deve ser habitual ter viajantes por aquele pardieiro. Bebo rapidamente o segundo uísque e saio de um ambiente sufocante que tresanda a suor, tabaco e perfume barato. É universal a procura de sexo. Mas no meio do Alto-Minho, um bar de nome London, cheio de alternadeiras brasileiras, parece um cenário de filme série B. Acelero, feliz por ter sido figurante.
Fernando Lopes às 03:39 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quarta-feira, 28.12.11

Vidal, toma lá uma foto da tua Branca de Neve


Para o inenarrável Carlos Vidal, dessa estirpe de comunistas que distinguem os ditadores maus dos ditadores amigos (Kadhafi, Kim Jong-il, Bashar al-Assad), presenteio-te com a tua Branca de Neve. Assim, o culto da personalidade puro e duro, onde poderás como as pombas "Ficar nos ramos de um pessegueiro a chorar durante meia-hora”. Ou, talvez, um pouco mais, digo eu ...

A ler, Manuel António Pina, no JN

Fernando Lopes às 01:25 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Terça-feira, 27.12.11

Fly Portugal


Uma das marcas que é apontada como case-study de sucesso em Portugal, é a Fly London. Numa altura em que só avançaremos se produzirmos produtos com valor acrescentado, seria interessante para a marca de sapatos e malas, avançar e produzir, em associação, uma linha de roupas, moderna e irreverente. Ganhava o empresário do calçado, ganhavam os estilistas portugueses e as empresas têxteis, muita delas a fabricar com elevada qualidade para monstros como Carolina Herrera ou Hugo Boss. Porque não juntar forças e criar marcas globais em vez de ficar cada um na sua capelinha?
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Fernando Lopes às 12:55 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 26.12.11

...

Imagem: http://www.stick2target.com/
Pela primeira vez, desde que me conheço como gente, decidimos não trocar presentes, excepção feita às crianças e aos mais velhos. Não foi a falta de dinheiro a base dessa motivação, antes o medo. Em seis meses Passos e sus muchachos conseguiram instalar a penúria nuns e o medo nos outros.

Não havia desemprego nas minhas relações próximas, típicas de classe média. Entretanto tomei conhecimento de uma boa meia-dúzia de casos. Estamos a ser poupadinhos, prudentemente poupados, apesar de  um rendimento razoável. Quem vive do trabalho, com vencimentos razoáveis, encontra-se neste momento num limbo, em que mais vale viver o dia-a-dia, sem loucuras, mas também sem precauções excessivas.

Não temo excessivamente o futuro porque tenho, como diria o Coelho, a "almofada familiar". No caso de as coisas darem para o torto, poderemos sempre fazer um downgrade, vender alguns bens, recorrer a poupanças e à família. As dificuldades que possam surgir, serão, felizmente, ultrapassáveis. Haverá sempre alguns meios financeiros, e quem "nos ponha a mão por baixo".

O que me preocupa são os casos em que as famílias são as primeiras a chegar à classe-média. Esses não têm nada para vender, poupanças para esticar, e nem sequer podem contar com o apoio de pais ou avós. Uma imensa mole que tinha um rendimento de 2.000 euros por mês ou menos, que são os primeiros a ter casa própria, um carro utilitário pago às prestações, a oportunidade de dar algum conforto aos filhos. Com um ou dois elementos  do casal desempregados e sem suporte familiar, como irão sobreviver?

É por isso que me repugna profundamente a ideia de que "andamos a viver acima das nossas possibilidades". Uma mentira repetida à exaustão não se torna, por isso, verdade. O povo português sempre viveu modestamente e agora regressa ao salazarento naco de broa e meia-sardinha.

Anseio pelo dia em que estas pessoas cabisbaixas e envergonhadas pelo desemprego [como se fosse culpa sua], saiam para a rua e defenestrem uma geração inteira de Vasconcelos, que usou o poder e lambuza agora os dedos, com o que resta da nossa esperança.
Fernando Lopes às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Domingo, 25.12.11

Madame Cruz

Madame Cruz viveu sempre num mundo de sonho. Casa de sonho, carro de sonho, família de sonho. Um dia, o sonho desmoronou-se. O divórcio bateu-lhe à porta e a sua vida outrora grandiosa, tornou-se um pouco menos resplandecente. Madame não necessita de dinheiro, mas escasseiam-lhe os afectos. Provavelmente por razão do seu feitio tumultuoso, inevitavelmente pelos caminhos sinuosos que a vida toma. Passa temporadas nos trópicos em ilhas de ricos, onde todos os seus caprichos são satisfeitos. Ocasionalmente é seduzida por um call-boy, pensa ela por ser desejável, apesar dos seus 65 anos. Madame sabe que é um jogo de luz e sombra, sabe que jovens vigorosos nunca a procurariam se não tivessem presentes em troca de uma noite de amor. Mas adora enganar-se, fingindo que ainda é procurada por ser magra e elegante. E o rapaz e Madame entregam-se como se ambos fossem jovens, como se tudo aquilo fosse libido e não fingimento. Madame Cruz não dispensa as suas férias tropicais.
Fernando Lopes às 19:38 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Halfway Down de A.A. Milne



Halfway down the stairs
is a stair
where i sit.
there isn't any
other stair
quite like
it.
i'm not at the bottom,
i'm not at the top;
so this is the stair
where
I always
stop.

 

Fernando Lopes às 00:20 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 24.12.11

chefs, lojas gourmet e grand cru


Os portugueses estão cada vez mais pindéricos, com a mania de valorizar tudo o que possua uma aparente sofisticação. Ultimamente chega ao nível do disparate. Os cozinheiros transformaram-se em chefs, as mercearias finas em lojas gourmet e até o café é grand cru.

Gosto da cozinha portuguesa, e conheço bons restaurantes na minha cidade. Não como sushi, tenho medo de me aproximar da cozinha molecular. Sei que os melhores filetes de polvo com arroz do mesmo são no Aleixo, uma tripas digníssimas e bem cozinhadas são servidas a preços módicos no Pombeiro, come-se um bom arroz de marisco no Mauritânia. Como tipo de gostos simples, prefiro estas iguarias portuguesas às "orelhas de coelho crocantes" do senhor Adrià. Embora aprecie a decoração dos pratos, a cozinha de autor, só de olhar para a escassez no prato, dá-me fome.

As lojas gourmet, são uma versão moderna das clássicas mercearias finas. Uma volta por este tipo de estabelecimentos na baixa portuense, fará cair por terra a pretensa especialidade gourmet. Nas mercearias finas da baixa tudo é de altíssima qualidade (bacalhau, queijos, enchidos e um mundo de pequenas delicatessen), sem a pretensão das trufas (que nunca provei, porque não são para o meu bolso e provavelmente para o meu paladar).

Não sei sei o que é o café grand cru, até porque sempre fui rapaz para preferir um grand cozido à la portugaise. O meu avó, experiente apreciador de café, comprava vários lotes na Casa Christina em quantidades certas e pedia para ser moído com uma determinada especificidade que nunca entendi. Era o melhor café do mundo. Agora é grand cru em cápsulas, vendendo uma imagem e complexidade que me põe de pé atrás.

Serei um simplório certamente, mas tanta gente fina, que 20 anos antes só comia carapau do gato, deixam-me suspeitoso sobre a veracidade da sua (ou da que lhes vendem) sofisticação.

Fernando Lopes às 02:08 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sexta-feira, 23.12.11

"Natal" de Álvaro Feijó

Fernando Lopes às 21:47 | link do post | comentar

figura de urso ...

Deitar fora o bebé com a água do banho...

Fernando Lopes às 14:13 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Feliz Natal

Fernando Lopes às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quinta-feira, 22.12.11

Too Much Information (*)


Portugal está a criar uma nova espécie de cidadãos. Os que se recusam a prestar atenção às notícias. Pessoas informadas, interessadas, perante a face monstruosa e incerta do mundo, decidem, pura e simplesmente, alhear-se. Este divórcio pode ser provocado pelo medo, falta de esperança, pelo absurdo com que somos brindados todos os dias nos media. Mas, não é por se ignorarem, que os factos deixam de acontecer. Uma comunicação social dirigida por grandes grupos perde algum do distanciamento crítico. Afinal, pelo que vemos do Público, também os jornalistas têm um emprego, uma vida a preservar. Num mundo em convulsão, a informação é a arma mais importante de que dispomos para nos defendermos, para anteciparmos o futuro. O alheamento é também ele um sinal de novos tempos. Que importa analisar e compreender.

(*) de uma música dos The Police
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Fernando Lopes às 12:56 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 21.12.11

Segredos

Raramente releio o que escrevo. Em primeiro lugar porque a qualidade da prosa é, sei-o bem, abaixo de medíocre. E, embora ocasionalmente goste de fazer de palhaço, ser confrontado com a minha inabilidade com as palavras, doí-me fundo. Mas, com o purgatório, encontrei uma forma de me exprimir. Eventualmente feriria menos sensibilidades se me entregasse a divagações com telas e pincel. Mas, infelizmente para quem me lê, esse não é o meu meio. Já escrevi sobre intimidades e manifestei um certo gosto pela escatologia. Falei sobre flatulências, a minha vasta experiência sexual, escrevi "estórias" reais e inventadas. É por isso que acho patético quando as pessoas dizem que não têm segredos. Todos temos. Nunca revelamos senão o que nos apetece. As angústias, desejos, ansiedades, medos, ficam sempre guardados num espaço de reserva íntimo e pessoal que nunca partilho. Só revelei o que quis, como quis, quando quis, porque quis. Porque a intimidade é o nosso maior segredo. É espaço de reserva absoluta. Não me façam rir dizendo "não tenho segredos" ou "a minha vida é um livro aberto". Nunca é. Quem diz o contrário ou é parvo ou mentiroso.

Fernando Lopes às 19:08 | link do post | comentar

Uma ideia de génio ...


Num tempo em que os nossos governantes desistiram do país e dos portugueses, Paulo Rangel [aka Manelinho] propõe a criação de uma agência nacional para apoiar os portugueses que querem emigrar. Numa altura em que nos é vendido até à exaustão o "emagrecimento" do estado,  esta é, sem dúvida, uma boa ideia. Pelo menos permitirá a colocação de boys do PSD na dita agência. Redução nas fileiras dos desempregados.

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Fernando Lopes às 10:30 | link do post | comentar
Terça-feira, 20.12.11

Síndrome de Tourette



Um colega e amigo acusou-me [e aos bloggers em geral] de termos uma nuvem negra sobre a cabeça, e de sermos, em geral, destrutivos, exageradamente críticos e ocasionalmente cáusticos. Não possso deixar de lhe dar razão. Mas, cada vez que ligo a televisão ou leio as notícias, sinto-me vítima do Síndrome de Tourette.

Fernando Lopes às 19:07 | link do post | comentar
Segunda-feira, 19.12.11

Emigrem tanto quanto possível


O título desta posta é uma (in)feliz síntese dos momentos com que a dupla Cavaco & Coelho nos brindaram este fim-de-semana. Seria cómico senão fosse trágico. A mensagem de Natal do biltre e o conselho de PPC são um resumo deste país. Sem brilho, sem motivação, sem esperança, sem futuro. A admissão de que 2012 será um ano trágico para milhares de famílias que serão vítimas do desemprego ou a sinalização de que não há futuro para os nossos mais qualificados é um inadmissível sinal de derrota.

Ao presidente e ao primeiro-ministro compete animar, motivar, apresentar ideias para vencer as dificuldades que atravessamos. Mesmo sabendo que não está [apenas] nas nossas mãos a resolução dos problemas, os dois mais altos representantes da nação exibem, despudoradamente, falta de ideias ou soluções para quebrar este ciclo vicioso e viciado.

A propagação de medidas que retiram bem-estar, encolhem salários, aumentam precariedade é lamentável. Todos temos a noção de que estamos sobre um protectorado que além de exigir diminuição da qualidade de vida, cobra juros exorbitantes e procede à pilhagem das nossas melhores empresas. Que os nossos representantes aceitem isto como uma fatalidade, prova a miserável qualidade técnica e humana de quem se apoderou do poder.

Portugal está cada vez mais parecido com Auschwitz, onde o trabalho é de borla e a esperança uma miragem. A fase seguinte será, certamente, a do extermínio. Às portas deste país será colocada a frase "A morte liberta", convidando os portugueses em geral e esses sanguessugas dos pensionistas e reformados em particular ao suicídio colectivo. Com os jovens expulsos do país que investiu na sua educação, com uma segurança social incapaz de assumir compromissos, os mais velhos serão convidados, à velha maneira índia, a sentarem-se num qualquer monte, sem comida nem bebida, à espera que a morte chegue.

Cavaco & Coelho lá estarão, a pairar como abutres, prontos a acender a pira funerária, na celebração de menos um encargo para o estado social.

Fernando Lopes às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Bernardino, vais às exéquias?


Embora a morte nunca seja facto de celebração, está aqui uma que me é absolutamente indiferente. OK, confesso, não consegui deixar de esboçar um ligeiro sorriso. Será Bernardino o representante do PCP nas exéquias?

Fernando Lopes às 09:35 | link do post | comentar | ver comentários (6)
 

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