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| Foto:Pedro Elias/Negócios |
A personalidade firme, como a das osgas, nunca cessa de me surpreender. No noticiário da meia-noite da SICN vi António Mexia distribuir abraços e palmadas nas costas em doses industriais. De tal modo escandaloso que, estranhamente, até os jornalistas noticiaram. Exigir-se-ia que fosse cortês, educado, um mestre-de-cerimónias, nunca subserviente ou descaradamente graxista. Um homem que recebeu 3.1 milhões de euros de remuneração em 2009 não se desfaz em mesuras por dinheiro, mas por poder. São assim os nossos gestores, fracos com os fortes, fortes com os fracos.
O carácter de enguia do presidente da EDP fica bem patente nestas três situações:"é um nome que faz sentido", disse sobre a Eletrobras,visitou a Alemanha e a E.ON para assegurar a manutenção da presidência da EDP e concluiu que "é uma prova de ausência de preconceitos"o governo escolher a chinesa Three Gorges Corporation, e que "é a melhor decisão para Portugal e para a EDP."
Palavras para quê, é um sabujo português...
[Se não acredita em todas estas contradições, siga os links]
P.S. - Alguém reparou nos afectos de Mexia e hoje, dia 1, brindou-nos com este vídeo.
Para o inenarrável Carlos Vidal, dessa estirpe de comunistas que distinguem os ditadores maus dos ditadores amigos (Kadhafi, Kim Jong-il, Bashar al-Assad), presenteio-te com a tua Branca de Neve. Assim, o culto da personalidade puro e duro, onde poderás como as pombas "Ficar nos ramos de um pessegueiro a chorar durante meia-hora”. Ou, talvez, um pouco mais, digo eu ...
A ler, Manuel António Pina, no JN
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| Imagem: http://www.stick2target.com/ |
Halfway down the stairs
is a stair
where i sit.
there isn't any
other stair
quite like
it.
i'm not at the bottom,
i'm not at the top;
so this is the stair
where
I always
stop.
Os portugueses estão cada vez mais pindéricos, com a mania de valorizar tudo o que possua uma aparente sofisticação. Ultimamente chega ao nível do disparate. Os cozinheiros transformaram-se em chefs, as mercearias finas em lojas gourmet e até o café é grand cru.
Gosto da cozinha portuguesa, e conheço bons restaurantes na minha cidade. Não como sushi, tenho medo de me aproximar da cozinha molecular. Sei que os melhores filetes de polvo com arroz do mesmo são no Aleixo, uma tripas digníssimas e bem cozinhadas são servidas a preços módicos no Pombeiro, come-se um bom arroz de marisco no Mauritânia. Como tipo de gostos simples, prefiro estas iguarias portuguesas às "orelhas de coelho crocantes" do senhor Adrià. Embora aprecie a decoração dos pratos, a cozinha de autor, só de olhar para a escassez no prato, dá-me fome.
As lojas gourmet, são uma versão moderna das clássicas mercearias finas. Uma volta por este tipo de estabelecimentos na baixa portuense, fará cair por terra a pretensa especialidade gourmet. Nas mercearias finas da baixa tudo é de altíssima qualidade (bacalhau, queijos, enchidos e um mundo de pequenas delicatessen), sem a pretensão das trufas (que nunca provei, porque não são para o meu bolso e provavelmente para o meu paladar).
Não sei sei o que é o café grand cru, até porque sempre fui rapaz para preferir um grand cozido à la portugaise. O meu avó, experiente apreciador de café, comprava vários lotes na Casa Christina em quantidades certas e pedia para ser moído com uma determinada especificidade que nunca entendi. Era o melhor café do mundo. Agora é grand cru em cápsulas, vendendo uma imagem e complexidade que me põe de pé atrás.
Serei um simplório certamente, mas tanta gente fina, que 20 anos antes só comia carapau do gato, deixam-me suspeitoso sobre a veracidade da sua (ou da que lhes vendem) sofisticação.
Raramente releio o que escrevo. Em primeiro lugar porque a qualidade da prosa é, sei-o bem, abaixo de medíocre. E, embora ocasionalmente goste de fazer de palhaço, ser confrontado com a minha inabilidade com as palavras, doí-me fundo. Mas, com o purgatório, encontrei uma forma de me exprimir. Eventualmente feriria menos sensibilidades se me entregasse a divagações com telas e pincel. Mas, infelizmente para quem me lê, esse não é o meu meio. Já escrevi sobre intimidades e manifestei um certo gosto pela escatologia. Falei sobre flatulências, a minha vasta experiência sexual, escrevi "estórias" reais e inventadas. É por isso que acho patético quando as pessoas dizem que não têm segredos. Todos temos. Nunca revelamos senão o que nos apetece. As angústias, desejos, ansiedades, medos, ficam sempre guardados num espaço de reserva íntimo e pessoal que nunca partilho. Só revelei o que quis, como quis, quando quis, porque quis. Porque a intimidade é o nosso maior segredo. É espaço de reserva absoluta. Não me façam rir dizendo "não tenho segredos" ou "a minha vida é um livro aberto". Nunca é. Quem diz o contrário ou é parvo ou mentiroso.
Num tempo em que os nossos governantes desistiram do país e dos portugueses, Paulo Rangel [aka Manelinho] propõe a criação de uma agência nacional para apoiar os portugueses que querem emigrar. Numa altura em que nos é vendido até à exaustão o "emagrecimento" do estado, esta é, sem dúvida, uma boa ideia. Pelo menos permitirá a colocação de boys do PSD na dita agência. Redução nas fileiras dos desempregados.
Um colega e amigo acusou-me [e aos bloggers em geral] de termos uma nuvem negra sobre a cabeça, e de sermos, em geral, destrutivos, exageradamente críticos e ocasionalmente cáusticos. Não possso deixar de lhe dar razão. Mas, cada vez que ligo a televisão ou leio as notícias, sinto-me vítima do Síndrome de Tourette.
O título desta posta é uma (in)feliz síntese dos momentos com que a dupla Cavaco & Coelho nos brindaram este fim-de-semana. Seria cómico senão fosse trágico. A mensagem de Natal do biltre e o conselho de PPC são um resumo deste país. Sem brilho, sem motivação, sem esperança, sem futuro. A admissão de que 2012 será um ano trágico para milhares de famílias que serão vítimas do desemprego ou a sinalização de que não há futuro para os nossos mais qualificados é um inadmissível sinal de derrota.
Ao presidente e ao primeiro-ministro compete animar, motivar, apresentar ideias para vencer as dificuldades que atravessamos. Mesmo sabendo que não está [apenas] nas nossas mãos a resolução dos problemas, os dois mais altos representantes da nação exibem, despudoradamente, falta de ideias ou soluções para quebrar este ciclo vicioso e viciado.
A propagação de medidas que retiram bem-estar, encolhem salários, aumentam precariedade é lamentável. Todos temos a noção de que estamos sobre um protectorado que além de exigir diminuição da qualidade de vida, cobra juros exorbitantes e procede à pilhagem das nossas melhores empresas. Que os nossos representantes aceitem isto como uma fatalidade, prova a miserável qualidade técnica e humana de quem se apoderou do poder.
Portugal está cada vez mais parecido com Auschwitz, onde o trabalho é de borla e a esperança uma miragem. A fase seguinte será, certamente, a do extermínio. Às portas deste país será colocada a frase "A morte liberta", convidando os portugueses em geral e esses sanguessugas dos pensionistas e reformados em particular ao suicídio colectivo. Com os jovens expulsos do país que investiu na sua educação, com uma segurança social incapaz de assumir compromissos, os mais velhos serão convidados, à velha maneira índia, a sentarem-se num qualquer monte, sem comida nem bebida, à espera que a morte chegue.
Cavaco & Coelho lá estarão, a pairar como abutres, prontos a acender a pira funerária, na celebração de menos um encargo para o estado social.
Embora a morte nunca seja facto de celebração, está aqui uma que me é absolutamente indiferente. OK, confesso, não consegui deixar de esboçar um ligeiro sorriso. Será Bernardino o representante do PCP nas exéquias?