Quarta-feira, 30.11.11

até ao osso

Foram hoje publicados os dados sobre o desemprego. 12,9% é o número oficial. Todos sabemos que a realidade é muito mais negra. Vivo num meio de classe média, tenho amigos com várias formações académicas, desde a arquitectura à engenharia, das letras à saúde, dos que completaram o 12º ano aos que são professores do ensino superior.

Filho e neto de mangas de alpaca, as minhas relações pessoais e afectivas movem-se nessa imensa mole a que se convencionou chamar classe média. E todos, que até há pouco vivíamos vidas anónimas e relativamente confortáveis, começamos a sentir a crise e as medidas deste governo. Até ao osso. Há quem tenha salários em atraso, quem virá a ser roubado do subsídio de férias e Natal, profissionais liberais que, face à concorrência, têm de vender o seu trabalho mais barato. A célebre desvalorização do custo do factor trabalho. O conforto de ter uns euros de reserva no banco está, lentamente a desaparecer.

Esta proletarização de quem paga uma parte substancial dos impostos terá consequências. Sociais e económicas. Embora à superfície tudo esteja calmo, há um fervilhar de desespero que deixou os mais desprotegidos e alastrou a franjas mais amplas da sociedade. Hoje um administrador de um banco foi raptado e roubado. Sinal dos tempos. Nem os poderosos escaparão ao monstro que criaram.
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Fernando Lopes às 11:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 29.11.11

Um trabalhador às direitas ...

(clique na imagem)

"Viagens de família, massagens, tampões higiénicos, cintos de pele de crocodilo, cabeleireiro, faqueiros em prata, mercearia e uma festa de aniversário de uma neta. Estes são alguns dos exemplos de despesas pessoais que o Fisco encontrou registados nas contas da Amorim Holding 2 entre 2005 e 2007 e que permitiram à empresa subtrair a sua factura de IRC durante aquele período."
Fernando Lopes às 19:41 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Polícias e hackers


Toda a nossa sociedade assenta em mecanismos de informação. A nossa vida, as compras, as dívidas, a água, a luz, as telecomunicações são controladas por sistemas informáticos. Esta capacidade de armazenar informação torna a sociedade enormemente dependente destes sistemas. O ataque dos hackers ao MAI, embora ilegal,  faz todo o sentido. Ao tomar-se conta da informação está-se a assaltar o poder. Os fins legitimam os meios.

No entanto, este ataque padece de algo que não me agrada. A disseminação de dados de agentes policiais sem outro critério que não o da localização do seu posto de trabalho. Torna os polícias alvo fácil de controlo por marginais. Fragiliza-os no cumprimento das suas tarefas diárias, que, penso eu, não serão bater em manifestantes das 9:00 às 17:00. Agradar-me-ia mais que apenas tivesse sido divulgada informação dos responsáveis e não de meros agentes. Colocaria menos vidas em risco e seria bem mais agradável maltratar a mão que manda bater e não o simples executor.


P.S.- [19:01] Tenho dificuldade em compreender os "sonhos húmidos" que este ataque causa a alguma blogosfera de esquerda. Combata-se o ministro e as altas patentes, não os polícias de giro. O 5dias está a prestar serviço público ao exibir os rostos dos "paisanas". Mas, não esquecer, são meros peões.

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Fernando Lopes às 14:55 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 28.11.11

Empata fodas

No orçamento de 2012 e após uma vitória de Pirro, fica provado que o papel de Seguro e sus muchacos é o de empata fodas. Por outras palavras, o PS nem troika, nem sai de cima.

Fernando Lopes às 13:46 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 27.11.11

O Álvaro percebe disto ...


Sobre os conhecimentos do Álvaro em matéria de transportes fica tudo dito em 4:25
Fernando Lopes às 23:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Ascensão e queda do Brasil ?


É muito mais o que nos une que que nos separa. "A minha pátria é a língua portuguesa", disse Pessoa. O Brasil vive um momento de prosperidade único na sua história recente. Graças aos seus enormes recursos naturais, à pujança da sua cultura, ao seu povo, é um país respeitado, um dos novos pesos-pesados da economia mundial.

É governado por uma mulher lutadora, que tem, com certeza, a melhor das intenções. E, no entanto, está a cometer os erros que Portugal, a Grécia e a Europa em geral cometeram em momentos de grande desenvolvimento económico. Está indo para a festa com a força toda, esquecendo-se que depois vem a ressaca.

Está a assentar o seu modelo de desenvolvimento em grandes eventos ou obras faraónicas que nada mais são do que um sorvedouro de dinheiros públicos, com retorno mais do que duvidoso. O mundial de futebol, os jogos olímpicos, as grandes barragens que trarão ao Brasil do futuro? Endividamento externo por várias gerações, corrupção, compadrio e posterior "ajustamento" e empobrecimento. Nós já estivemos lá, cometemos esses erros. Era bom que os nossos irmãos começassem a pensar num modelo de desenvolvimento alternativo e a aprender com os erros cometidos pelos europeus. Saravá!

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Fernando Lopes às 01:48 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 26.11.11

O rosto de um filho da puta


O vídeo exibido ontem pela TV e postado em vários blogues, com a carga de porrada de um polícia à paisana, desapareceu do vimeo. Coisa bem intencionada, certamente. Existirá cópia em muitos computadores, podemos colocá-lo no youtube e em muitos outros sites. Para que conste, exibo a fotografia do filho da puta do bastão extensível.

Resta a extraordinária e inexplicada coincidência de um suposto procurado pela Interpol, se ir colocar no local com mais polícia por metro quadrado da cidade de Lisboa, no dia de uma greve geral. Contem-me histórias que eu gosto ...

Foto: cortesia do 5dias






Vídeo: cortesia do Democrato

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Fernando Lopes às 18:44 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 25.11.11

Um mundo perfeito

O seu mundo permanece simples, sem zonas cinzentas. Apenas existem maus e  bons. A maldade é ficção, inexistente no dia-a-dia. Coisa de bruxas e feiticeiros, cruzando mundos mágicos. Palra sem parar, inventando "estórias" em que é simultaneamente heroína e vilã. Quero prolongar essa ilusão enquanto for possível, partilhar esse sítio perfeito em que o bem prevalece e o mal é sempre castigado. Adormece enroscada enquanto lhe conto baixinho sobre belas princesas, anões corajosos e gigantes bonacheirões.
Fernando Lopes às 18:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 24.11.11

Às vezes o Pacheco tem ataques de lucidez selectiva ...

"A metáfora do túnel é errada: não é um túnel, mas um poço, não estamos a caminhar na horizontal no escuro, estamos a cair na vertical no escuro."
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Fernando Lopes às 19:12 | link do post | comentar | ver comentários (2)

1 departamento, 29 trabalhadores, 1 grevista


Ao ser o único, entre os 29 do meu departamento a aderir à greve, arrisco bastante. Arrisco-me a ser o primeiro numa série de cortes e despedimentos previstos. Diga-se o que se disser, no sector privado aderir à greve é mais difícil do que no público. Todos têm medo. Dos cortes salariais e dos despedimentos. Provavelmente haveria uma potencial meia-dúzia de pessoas com vontade de fazer greve. Mas, como sempre, acobardar-se-ão. É compreensível. Todos temos a vida por um fio. Mas, é nestas alturas que se distinguem os princípios das conveniências. Por isso, faço greve.
Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 23.11.11

Os mercados "foram" à Alemanha


Hoje, a Alemanha foi aos mercados. Ou os mercados "foram" à Alemanha. Não me alegram as dificuldades dos outros, mas este primeiro fracasso dos todo poderosos alemães, indicia o que todos sabíamos. Os mercados estão-se nas tintas para países, nacionalismos, produtividades e o raio que os parta. O que os move é o lucro. Ponto. Enquanto os alemães não compreenderem que esta é uma crise sistémica e continuarem a ser arrogantes, a crise da dívida continuará a espalhar-se como um vírus. Uma crise global tem de ter uma solução global, sem bodes expiatórios. O insucesso pode ser um "abre-olhos" para os alemães em negação. Ou talvez não.

Por cá, o governo de Vichy prossegue no seu estado de indigência moral.

Fernando Lopes às 19:16 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Terça-feira, 22.11.11

A indigência da falta de mulher a dias

O ridículo mata. No comunicado de Pedro Passos Coelho, é apresentado como exemplo de indigência o abdicar dos serviços da mulher a dias. A senhora só toma banho uma vez por semana, só acende uma lâmpada, e teve de abdicar da mulher a dias. Pobrezinha. Ler para crer.

“Exmo Sr Primeiro Ministro. Votei no senhor e ainda acredito que está a fazer o melhor que pode e sabe. Preciso muito da sua ajuda. É sobre o meu orçamento familiar. Até aqui o ordenado nunca chegava ao fim do mês. Era com os subsídios de natal e férias que eu conseguia equilibrar as finanças, pagar seguros, contribuições, irs, ou outra despesa extraordinária, como um par de óculos. Já cortei tudo... mas as despesas não essenciais. Tomo banho só uma vez por semana, só acendo uma lâmpada, dispensei a mulher a dias, só saio no carro em casos extremos. Não sei mais onde cortar e o dinheiro não chega. Por favor diga-me o que hei-de fazer para poder continuar a pagar as obrigações ao Estado. Estou desesperada. Agradeço que me ajude e dê sugestões de como equilibrar as minhas finanças.”

Obviamente penso que esta prosa é uma encenação dos assessores de PPC.
Fernando Lopes às 13:28 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Segunda-feira, 21.11.11

O pacifismo é uma cena que a mim não me assiste


Por todo o lado assistimos a terrorismo de estado. Seja o terrorismo financeiro, que nos rouba salários e obriga a trabalhar mais horas, seja o terrorismo propriamente dito, exercido por aqueles que juraram "honrar e defender". As cartas de boas intenções, o jogar segundo as regras, deixou de ser justificável, porque eles também não jogam pelas regras democráticas. Há pois que criar resistência, ocupar tudo, ser subversivo, antes de ser tragado, digerido e devidamente evacuado.

[Siga os links]

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Fernando Lopes às 19:32 | link do post | comentar | ver comentários (5)

"Lúcio Feteira, a história desconhecida" por Miguel Carvalho


O autor do livro "Lúcio Feteira, a história desconhecida", o jornalista Miguel Carvalho, não tem dúvidas: o milionário português era um homem visionário que "não podia ver um rabo de saias" e um empresário repleto de "esquemas".

"Tanto lá (Brasil), como cá (Portugal), não encontrei nos grandes negócios nada que não tenha um esquema, nada que não seja duvidoso", salienta Miguel Carvalho, acrescentando que isso lhe valeu ameaças de morte e armas empunhadas numa Assembleia Geral de uma das empresas, a Covina, cujos sócios acabou por "trair".
Da investigação que durou um ano, o jornalista Miguel Carvalho conseguiu fazer o retrato de um homem simultaneamente capaz de aparecer como "banqueiro da resistência à ditadura" e "financiador de um golpe contra Salazar".

Algo que, segundo o autor do livro, disponível nas livrarias a partir de hoje, só prova a capacidade que Lúcio Feteira tinha "em jogar em diversos tabuleiros", notando a forma hábil como conseguiu, a partir do Brasil, construir "grandes cumplicidades com os poderes militares das ditaduras sul-americanas".

Era um homem visionário, capaz de se preocupar, nos anos 30, com as questões ambientais quando liderava a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, mas uma figura que a injustiça da História secundarizou perante industriais como Alfredo da Silva e António Champalimaud, "muito porque ficava na sombra", justifica Miguel Carvalho.
Lúcio Feteira era "um mulherengo assumido", realça. No livro, o jornalista aborda uma história que atesta a "vertigem" do milionário português pelas mulheres.

"Ele chegou ao aeroporto, viu passar uma beldade e seguiu a mulher. Deu-se ao luxo de trocar o bilhete para acompanhar a mulher, mas quando se vê a bordo do avião constata que ela vai em viagem de lua-de-mel", conta. "Era dado a estes fascínios e a estes luxos", explica Miguel Carvalho.

Rosalina Ribeiro foi uma companheira "útil", de "dedicação inexcedível, embora se possa pensar que teria o seu interesse muito próprio", mas "aquela que eu penso que foi a mulher da vida de Lúcio Feteira, a sua primeira grande amante, foi Celeste Pastorini", sustenta.

"Era muito bonita, ofereceu-lhe sociedades, deram a volta ao mundo. Um dia confidenciou a familiares: Ela gostou muito de mim e eu muito dela', algo que nunca disse de outra mulher ou de Rosalina, ilustra o jornalista.
O autor do livro, contudo, sublinha que nada do industrial multimilionário "era a preto e branco" e, apesar do sucesso nos negócios e com as mulheres, Miguel Carvalho gravou na mente uma frase de Lúcio Tomé Feteira: "Tudo neste País contra mim se tramou."

Texto roubado ao DN Online. O Miguel brilha diariamente no blogue A Devida Comédia.

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Fernando Lopes às 18:50 | link do post | comentar

Alternadeiras


Não é só em Portugal que o povo padece de bipolaridade. Noutros países europeus tarda a surgir uma alternativa credível. Como clientes embriagados de uma casa de má fama, os europeus insistem em escolher entre a alternadeira que lhes parece mais promissora.

Há muito que o espumante perdeu força. Apresenta-se morto, sem borbulhas, com promessas que, sabe-se, não irá cumprir. Entre os "socialistas" convertidos em sociais-democratas de segunda escolha e os conservadores, que seguindo os ditames da moda, pescam em águas liberais, o povo espanhol escolheu.

A sua opção foi idêntica à nossa. Subserviência aos mercados e à Alemanha. “A voz espanhola tem de voltar a ser respeitada em Bruxelas e em Frankfurt, seremos o mais leal e mais exigente dos sócios, cumpridores e vigilantes” disse Rajoy. E isto é todo um programa. Os povos europeus pela inépcia das suas escolhas merecem o que lhes está a acontecer.
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Fernando Lopes às 00:15 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 20.11.11

Fecha a cloaca, Costa!


Sempre tive receio relativamente a homens providenciais. Ou reservas morais, tribunos e afins. Há um momento em que se espalham ao comprido, desfazendo o mito. Hoje foi a vez de António Costa. Num qualquer debate sobre transportes públicos, abriu a cloaca para proferir sentença. Uma das formas de financiar os transportes públicos, seria o aumento sintonizado dos combustíveis em toda a zona metropolitana de Lisboa.

Pondo de lado a legalidade duvidosa da proposta [cartelização, diferenciação fiscal, etc.], é de uma estupidez atroz. Não perguntes como se pode financiar os transportes públicos, torna-os melhores e serão financeiramente auto-sustentáveis. Esta visão distorcida do problema é grave. Só investindo na qualidade tornaremos os transportes mais atractivos e consequentemente mais utilizados. Os cidadãos que optaram por viver nestas zonas já são penalizados com maior custo de vida, maior IMI, faltava agora combustíveis mais caros. O princípio de Peter aplicado ao Costa.

Fernando Lopes às 01:45 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 19.11.11

Sociedades Secretas


Sinto-me um merdas. Ao contrária da honorável presidente da Assembleia da República nunca fui convidado para prestigiantes associações semi-secretas. Já vai sendo tempo de se criar algo idêntico para pobres e iletrados. Sempre ansiei por gestos secretos que me dessem a conhecer "irmãos" prestigiados. Ou retiros espirituais para reflectir no que fazer aos milhões arrecadados em negócios pouco lícitos. Ouvir o Grande Mestre sobre uma humanidade que não pratica. A não ser entre irmãos. Deliciar-me com os ensinamentos de Balaguer. Temos de arranjar uma sociedade secreta para anónimos sem curso. Um irmão disse-me que tal já existe. Reúnem-se em calções algures entre a segunda circular e o dragão. Abençoados sejam.

Fernando Lopes às 10:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 18.11.11

Abrigo da nossa vergonha


Uma fotogaleria do Público, sobre as ilhas e habitação degradada. Para ver e meditar, porque isto não é apenas arte. É vergonha colectiva.

Fernando Lopes às 14:15 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 17.11.11

A geração mais qualificada de sempre

Esta é a geração mais qualificada de sempre. E ainda falam da "Casa dos Segredos". Isto foi filmado à porta de estabelecimentos do Ensino Superior.

"44% não sabem quem pintou o tecto da Capela Sistina, 26% não sabem qual o maior mamífero do mundo, 52% não sabem como se chamava o maior campo de concentração nazi, 24% não sabem qual a capital dos EUA, 76% não sabem quem escreveu "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" and so on ..."


[Dados retirados da Sábado]

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Fernando Lopes às 19:02 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Tarantinada


O assalto tinha sido cuidadosamente planeado. O ourives saía de casa todas as quintas, com o material das encomendas. Faria a distribuição das peças durante a manhã. Com sorte, poderiam gamar 50.000 €. Dificilmente o receptador lhes daria mais de 15.000 €. Que se foda! Dava para dar algum à velha, comer marisco, comprar xamon e cheiro para 2 meses. O Rodrigues e o Segal eram gajos experientes e já tinham passado por Custóias, Chaves e Paços de Ferreira. Gabavam-se de ter mantido a peida incólume nas suas estadias nestes estabelecimentos de referência.

O Zeca, dentro do segundo carro segurava nas mãos trémulas uma Beretta 9 mm. O ourives saíu à hora prevista, abrindo os portões automáticos da vivenda. Olhou para o lado. Era o Jonas, uma besta de 100 kilos, que se gabava de comer três francesinhas depois de 2 horas no ginásio. O sinal. O Jonas engrena a marcha-atrás. No momento em que acelera para atravessar o Punto gamado, o filho da puta dá gás a mais e choca com um carro estacionado. Ouve-se um estrondo seguido de um estalido e dois sonoros foda-se!. O Zeca com o impacto tinha acabado de disparar sobre o próprio pé.

O ourives apercebe-se da armadilha e serpenteia entre o Punto batido e o passeio. O Segal vinha no seu encalço. Pelas ruelas de Gondomar iniciam uma perseguição destinada ao fracasso. O cabrão tinha um Mercedes, bem mais rápido que o Punto e Saxo perseguidores. Curva, contra curva, chiadeira dos pneus, quando, de repente aparece um carro Nivea. A bófia, caralho, recua, recua!!!  O Jonas abandona o chaço e desata a correr rua fora, tão depressa que os calcanhares lhe batiam no cu.

O Zeca sai do carro e manca, com um buraco no pé que quase dava para ver o asfalto. Polícia! Alto ou disparo! Puta de sorte, nem ouro, nem nada e a bófia ali a gritar. Zeca atirou para longe a velha Beretta. A puta disparou. A polícia também. E o Zeca caiu, lentamente, de joelhos, olhando incrédulo para o buraco no peito e estranhando a chiadeira que fazia enquanto respirava.
Fernando Lopes às 01:25 | link do post | comentar
 

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