Segunda-feira, 31.10.11

Viva la muerte!


"O dia em que morremos é apenas mais um dia da nossa vida." Quem o disse já partiu para esse limbo de onde nunca se regressa. No México uma das marcas culturais deste dia é o cruzamento entre o sagrado e o profano, o brincar com a morte, o ignorar ostensivo de que ela está sempre ao nosso lado. O culto dos mortos representa a careta que fazemos à morte. De língua de fora, dentes arreganhados, desprezo infinito. Estás aí, mas não é hoje que me levas.

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Fernando Lopes às 19:28 | link do post | comentar

Anatomia do desejo


Caminhamos de mão dadas. Através do decote discreto, pressinto-te os seios generosos e firmes. E, num segundo, recordo com desejo redobrado as vezes em que fomos um corpo só, quente, vibrante e húmido, partilhando o êxtase. Não é passado, presente ou futuro é todo um momento que se eterniza, quando exaustos nos abraçamos num profundo silêncio. E tremo de prazer, satisfação e orgulho. Tantos anos depois quero-te ainda mais.
Fernando Lopes às 14:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 30.10.11

Medidas que não valem a ponta de um corno... (V)


Incapaz de combater o fenómeno da evasão fiscal, o governo quer colocar os cidadãos como inspectores tributários. A economia paralela aumenta à medida que aumentam os impostos. É dos livros e do senso comum. Todos nós já fomos confrontados com um arranjo de um electrodoméstico ou pequenas obras em casa que nos sairiam 21% mais caras se pedíssemos factura. E, quem não prevaricou, que atire a primeira pedra. A razão é simples. Não podemos deduzir no IRS estas despesas ou temos uma dedução insignificante. Assim, o governo, quer colocar-nos a fazer o papel que lhe compete. Recuso esse ónus. Já pago q.b. de impostos para ser funcionário do fisco nas horas vagas. O ridículo desta medida, obrigar-nos a conservar as facturas durante um ano. Nada irá acontecer. Confesso-me desde já pecador. Amanhã quando tomar o meu café não irei pedir factura. O cidadão pode sofrer uma coima até 2.000 euros. O comerciante uma multa máxima de 3.750 euros. Como se prova pelos números das coimas a medida não é para ser levada a sério. Sobretudo pelos comerciantes e prestadores de serviços.

Fernando Lopes às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (4)

notas blogosféricas e o tamanho da minha pilinha


Como terão notado os seguidores mais atentos deste blogue, retirei o widget dos Membros. Tal deve-se única e exclusivamente a uma incompatibilidade entre a aplicação e o meu template. Ora surgia, ora desaparecia como uma lâmpada prestes a fundir-se. Incapaz de resolver o problema, retirei-o. Os 17 que deram a cara publicamente mostrando que gostavam desta coisa parecida com um blogue, continuam a contar com o meu carinho e admiração por serem tão temerários. Para luzes a aparecer e desaparecer fugazmente, sem que nos apercebamos que existem, já bastam os nossos ordenados.

Disse uma vez aqui, que os pageviews eram para panisgas. Mantenho a opinião. Permitam-me no entanto uma exibição despudorada do tamanho da minha pilinha. O purgatório ultrapassou hoje a fasquia dos 5.000 hits/mês.  A internet não se mede ao quilo, nem a qualidade dos blogues por pageviews. Para quem me lê é certamente pouco importante, mas significa que, este mês, abandonei os regionais e passei à 3ª Divisão B. Mais uns anitos e terei tantos leitores mensalmente como os grandes blogues tem por dia. Eventualmente, ao fim de tanta tentativa, poderei até publicar um post que mereça ser lido. The sky is the limit!

Fernando Lopes às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 29.10.11

Eugénio

O Eugénio é um homem de meia-idade, com um rosto que exprime bondade e simplicidade. Sobreviveu a uma infância difícil, uma doença destruidora, construiu com amor uma família que agora vê desmembrada. A sua única filha, terminados os estudos, apenas encontrou trabalho na capital. E o Eugénio anda como uma alma penada, em busca da cria que já não volta. Sente um vazio, olhando o quarto intocado. Suspira pelos fins-de-semana em que a terá de regresso. "É uma tristeza sem fim", confessou. E, num gesto de rotina, todas as noites vai espreitar a divisão desocupada, com a secreta esperança que o tempo tenha parado, e a jovem ainda esteja sentada, à meia-luz, batendo vigorosamente no teclado.
Fernando Lopes às 12:45 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 28.10.11

O cinismo como atrofia


Todos somos Diógenes. Particularmente em tempos difíceis é apetecível e justificado. Grandes pensadores, homens de letras, artistas, o cinismo sempre possibilitou um olhar crítico sobre nós e os outros. Não é em si mau. Permite-nos, qual alma desirmanada do corpo, pairar sobre o nosso espectro, olhar o quão ridículos somos, não nos levarmos demasiado a sério. O cinismo de Diógenes não era o que por aí circula de "os políticos são todos iguais", "anda meio mundo a roubar outro meio" e o conformismo de "enquanto o pau vai e vem, folgam as costas". Era uma base para a construção de um homem melhor, porque com essa consciência, mais atento ao mundo e aos seus semelhantes, elevando a fasquia, exigia mais. Ser cínico por militância ou diletantismo é uma forma de atrofia. Porque se encolhem os ombros  perante as dificuldades, vira-se as costas ao que nos indigna, mata-se a esperança de homens e amanhãs melhores. Inocência, ingenuidade, inconsequência, dirão eles.  Talvez, mas antes isso do que virar costas à luta por um mundo melhor. Porque, quem desiste, já está morto e ainda não foi informado do funesto evento.
Fernando Lopes às 14:10 | link do post | comentar

Indignados, ma non troppo


Um grande post no spectrum.

Fernando Lopes às 13:06 | link do post | comentar
Quinta-feira, 27.10.11

Nunca foi tão fácil reconhecer um canalha ...

andam todos com a bandeira na lapela ...
"O patriotismo é o último refúgio de um canalha"

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Fernando Lopes às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (2)

O moço de recados


Jaime Resende, deputado da Assembleia Municipal, eleito pelo Movimento Matosinhos Sempre de Narciso Miranda, conseguiu facturar 16 milhões de euros em 10 minutos. O truque foi o mesmo de sempre, isto é, comprar terrenos a baixo preço por fazerem parte da REN (Reserva Ecológica Nacional). Posteriormente vem a requalificação o que aumenta exponencialmente o seu valor. Este expediente, já usado também por Valentim Loureiro e o seu filho João, enriqueceu muita gente. Mas esses tem cacife para fazer este tipo de jogadas. Tem know-how, informação privilegiada e acesso aos meios financeiros necessários a este tipo de operações. Este badameco é um merdas, um moço de recados, o 29º deputado eleito para a Assembleia Municipal e nem no site da C.M. de Matosinhos nem no da candidatura de Narciso apresenta curriculum. É, obviamente, um testa-de-ferro. E uma investigação à séria, que não se ficasse pelo peixe-miúdo e fosse à raiz do problema? Isso é que era ...

Fernando Lopes às 18:54 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Saraiva, tem medo, tem muito medo ...

José António Saraiva, deves ter medo dos indignados. Obviamente, nas tuas aulas de política, nunca te debruçaste sobre Herbert Marcuse. Mas ainda estás tempo. Porque as revoluções não se fazem através do voto, ordeiro e acarneirado, mas na rua. E é a rua que temes ...

(...) o conceito de violência encobre (...) duas formas muito diferentes: a violência institucionalizada do estado de coisas vigente e a violência da resistência, que, necessariamente, permanece ilegal em face do direito positivo. Falar de uma legalidade da resistência é um sem-sentido. Nenhum sistema social, nem mesmo o mais livre, pode, constitucionalmente, ou de alguma outra maneira, legalizar uma violência dirigida contra este sistema. Cada uma destas duas formas encobre funções opostas. Há uma violência de libertação e uma violência de opressão. Há uma violência de defesa da vida e uma violência de agressão. E ambas estas formas de violência tornaram-se forças históricas e permanecerão forças históricas. (MARCUSE, 1968b, p.56)

Fernando Lopes às 10:20 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 26.10.11

mortos-vivos


Não é do tempo outonal. É um estado de espírito colectivo, que nos deixa entre o catatónico e o mortificado. Basta andar nas ruas para notar os rostos fechados, os ombros caídos, o desânimo colectivo, o caminhar lento de quem é empurrado para o abismo. Reúne-se o Conselho de Estado e sai um comunicado pleno de generalidades, apelando ao povo português para continuar a percorrer a via sacra do empobrecimento. Só me pergunto, 6 horas de reunião para parir isto?

Fernando Lopes às 13:50 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Music for the people


Voz grave, guitarras poderosas, gosto bem deste som.
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Fernando Lopes às 13:04 | link do post | comentar
Terça-feira, 25.10.11

Tintin revisitado


A minha infância foi passada entre livros do Tintin. Vibrei com as suas aventuras, do Congo à América Latina, dos Estados Unidos à China, do Tibete ao Médio Oriente. É pois, com alguma expectativa que aguardo a sua passagem da BD e do cinema de animação ao sofisticado 3D. A tecnologia actual permite um hiper-realismo, inimaginável há apenas 10 anos atrás. Ficaremos todos convictos, como a minha filha, que o repórter da poupa e o Capitão Haddock existem mesmo. E é interessante ver este renascimento editorial de nomes que marcaram a geração que agora tem 40 anos. Do Homem-Aranha aos livros dos Cinco, tudo está a ser revisitado. Fica-me uma dúvida. Será que a qualidade destas séries e livros se impôs naturalmente, ou estaremos a servir aos nossos filhos os nossos heróis em edição revista e aumentada?
Fernando Lopes às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Segunda-feira, 24.10.11

Bem prega Bento XVI


Depois deste escândalo, como é que o Papa se atreve a dar conselhos sobre um "banco central mundial" ? Eu não lhes confiava nem um cêntimo...

Na foto Bento XVI no modesto traje de passeio que caracteriza a Igreja Católica Apostólica Romana.

Fernando Lopes às 19:33 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 23.10.11

When the shit hits the fan


Muita da gente do sul tem uma secreta admiração pelos povos do norte. O aspecto clean, as cabeleiras loiras, os olhos claros, fazem parte, inclusive, do nosso imaginário erótico. A teoria da raça ariana existiu e subsiste porque também nós, os morenos de olhos escuros, não soubemos ver além da aparência ou valorizar a nossa.

Vem esta prosa a propósito do ataque de moral luterana da Srª Merkel. Diga-se em abono da verdade, que tanto eles como nós, temos sido particularmente estúpidos a escolher os nossos governantes. Esta teoria de pecado e castigo tem sido vendida aos países do norte e os cretinos [desta vez loiros] que lá habitam, acreditam-se.

Não entendem eles que com a conectividade que existe hoje na economia mundial, a nossa desgraça será a sua desgraça. A nossa suporta-se melhor porque tem mais sol e menores custos de aquecimento. Não compreendem que não somos canídeos para funcionar numa base de recompensa e castigo. Nem a mais leve percepção de que a nossa miséria, será, a prazo, a miséria deles. A ética calvinista e luterana não se adapta ao mundo de hoje e sairemos todos, e digo todos, mais pobres, por culpa da cobiça dos dirigentes políticos do sul e pela miopia dos do norte.

Fernando Lopes às 16:30 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Porque, às vezes, vale a pena ver desenhos animados com a filha


A partir do segundo 12.
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Fernando Lopes às 05:49 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 22.10.11

SUV

(clique na imagem)
A história a repetir-se ou simples angústias corporativas?
Fernando Lopes às 18:56 | link do post | comentar | ver comentários (9)

déjà-vu


Com o rabinho entre as pernas, os americanos retiram do Iraque, deixando uma guerra civil como herança. Ocupação, destruição e fuga. O nojo que isto me mete é indescritível.

Fernando Lopes às 18:05 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sexta-feira, 21.10.11

Manifestação de impotência


Ontem, o discurso da Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, teve um momento lapidar que não vi comentado. A admissão da impotência do MJ e do MAI para conter a criminalidade e a insegurança. Estou tão longe dos discursos securitários do PP como Maomé do toucinho, mas existe um mal-estar latente na nossa sociedade, eventualmente relacionado com o desemprego, mas que também passa por uma geração criada nas ruas, deixada à sua sorte e por isso com valores de tribo. Será provavelmente a primeira vez que Portugal se debate com o problema de gangues nesta dimensão. O consumo encandeia-os, é-lhes sugerido pelos media e no entanto os meios para essa satisfação são-lhes negados pela falta de trabalho. Como não existe forma de sublimação destas necessidades artificialmente criadas, a solução é o roubo e a violência.

Paula Teixeira da Cruz disse"... com a situação económica muito complicada que actualmente enfrentamos e que poderá potenciar o aumento da criminalidade..." É natural que isso aconteça e que a ministra tenha estudos que o comprovem. Mas a admissão desta hipótese tão despudoradamente é em si um sinal de impotência.

Fernando Lopes às 19:04 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quinta-feira, 20.10.11

levanta! levanta!


Os higienistas querem tudo segundo a sua cartilha. São palhaços de tendência revolucionária. O 15O chateou-os profundamente. Não seriam capazes de mobilizar 100.000 pessoas sem os autocarros, as sardinhadas, os lanches ou os artistas convidados. Eles andam aí, indignados com os indignados, mas cavalgando a onda de mudança. Revolucionários que acham que o máximo da masculinidade é ter estado num piquete de greve. São os gajos do senta! senta!, que fazem tudo by the book como aprenderam no Comité Central ou na Mesa Nacional. Apesar do respeito que me merece a história do PC, o tempo que vivemos já não é o do "centralismo democrático". É do individualismo libertário. Acusam-nos de não votarmos. Eu respondo que isso é jogar segundo as regras do inimigo. Ou lembrando um velho slogan @narca, "O voto é a arma do povo! Se votas ficas des@rmado!". Chegou o tempo não do senta! senta! mas do levanta! levanta!

Fernando Lopes às 19:58 | link do post | comentar
 

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