Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

vá lá, não desesperem

por Fernando Lopes, 30 Set 11

(clique na imgem)
ainda dá para espremer mais um bocadinho ...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

A velha Singer (*)

por Fernando Lopes, 30 Set 11

Tinha olhos azuis, claros como a água, quase translúcidos. Olhando fixamente através deles conseguia ver-lhe a alma. Filha de um barbeiro que tinha ganho dinheiro no Brasil, nem o facto de ter uma vida mais confortável do que a pobreza generalizada da aldeia a livrou da escolaridade mínima. As mulheres naquele tempo eram para estar em casa. Com a 4ª classe já sabiam do mundo das letras tudo o que poderiam ambicionar. Ajudou a criar os mais novos, trabalhou no campo, aprendeu a fazer manteiga e queijo.

Com 18 anos casou-se com José. José era filho de um mestre carpinteiro e desde os 10 anos ajudava o pai na oficina de carpintaria de que este era proprietário no Porto. Quis romper com os limites que lhe eram impostos e estudou à revelia do pai, durante a noite. Acabou a escola comercial, mas todos os fins-de-semana regressava às origens. Conheceu Conceição, apaixonaram-se e casaram. O primeiro filho do casal apenas resistiu 24 horas a um mundo cruel. Estranhamente, com o seu quê de mórbido e veneração, conservou até ao fim do seus dias uma fotografia do bebé. A fotografia a preto e branco era de um bébe vestido com um gorro. Foi fotografado já morto. Mas este filho que passou pela sua vida como um cometa era sempre considerado o seu primeiro filho. Tive dois filhos, um não vingou, dizia.

Trabalharam na Exposição Colonial do Porto e quando reuniram dinheiro, Conceição comprou uma máquina de costura Singer. Tinha aprendido costura como todas as miúdas da sua idade, mas sempre revelara talento para as linhas e colchetes. A Singer era, mais do que o seu instrumento de trabalho, o seu passaporte para a independência financeira. Tinha uns cartões impressos que raramente entregava. Conceição Lopes, Modista. O quarto que reservou para atelier de costura era visitado por senhoras abastadas, que pretendiam a reprodução de vestidos que viam na Burda alemã, uma espécie de Vogue para gente discreta. A Madame Queiróz, holandesa, com um marreca nas costas e mau feito era uma das suas clientes favoritas. Trabalhava, fumava, era igual ao marido português. Isto despertava em Conceição uma secreta admiração. D. Alice, mulher de um abastado industrial de Famalicão era também uma amiga. De personalidade fraca, Conceição adorava convencê-la a escolher o que achava que lhe assentava bem, deixando-a certa de que a escolha final tinha sido sua. Até aos 70 e muitos anos trabalhou na sua costura e ganhou para os seus alfinetes, como costumava dizer. Nos últimos anos já o fazia mais por amizade e hobby do que por dinheiro. A velha máquina Singer resistiu sempre. A Conceição, a idade foi retirando a precisão dos gestos de modista.

(*) Dedicado à minha avó Conceição, dos olhos azuis e da alma transparente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mais branco que o OMO

por Fernando Lopes, 29 Set 11

Ainda sou do tempo (como adoro dizer isto) em que os self-made men tinham algum mérito. Podiam ser oportunistas, vigários, mas havia sempre uma história por detrás do homem. Nunca foram exemplos de integridade, mas os Belmiros, Nabeiros e Amorims desta vida têm pelo menos um passado difícil e algo construído. São já homens na casa dos 70 a idade que o meu pai teria se não tivesse sido levado demasiado cedo. Mas o advento do cavaquismo trouxe-nos novas estrelas que não se distinguiram nos negócios e passaram à política. Fizeram o percurso inverso. Da política para os negócios. Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa fazem parte do que alguém assertivamente designou por "tralha cavaquista". Estes três exemplos (haveria certamente muitos mais e de outras áreas políticas) vêem-se agora a braços com a justiça por crimes económicos e até suspeitas de assassinato. Espantoso é que Cavaco consiga passar entre os pingos da chuva como se estes três personagens não fossem seus próximos e como se o próprio não tivesse sido beneficiário em negócios obscuros com o BPN. Não sei porque tanto vociferam contra Alberto João Jardim. Se for eleito, a legitimidade eleitoral apagará todas as malfeitorias. Mais branco que o OMO. Como sucedeu com Cavaco.

Actualização [19:30] - Acabo de chegar a casa e ler um interessante artigo sobre Duarte Lima, ou como um filho de uma simples peixeira passa a ter milhões na Suíça sem negócios comprovativos de tal rendimento. Isto não é ascensão, é um "meteoro social".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

"Rock in Fátima" by Álvaro Santos Pereira

por Fernando Lopes, 28 Set 11

Nunca vejo o Prós & Contras. É um monumento ao culambismo, como bem disse o MEC. Sempre no apoio a quem está no poder, que a sede é muita e o pote pequeno. No programa de 26 de Setembro o Álvaro, brilhante como sempre, depois do programa reforma ao sol, introduziu um novo nicho de mercado a explorar, o turismo religioso. Anseio pelo dia em que teremos o recinto de Fátima cheio não apenas a 13 de Maio e Outubro, mas durante todo o ano. Transformar aquilo numa espécie de "Rock In Fátima" para atrair permanentemente hordas de fiéis agitando no ar membros de cera a título de pagamento de promessas. O diabo vai ser quando velhos impotentes, a quem o Viagra já fazia o mesmo efeito de uma aspirina, começarem a agitar falos em agradecimento do retorno da virilidade perdida que a virgem lhes concedeu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Germanofobia

por Fernando Lopes, 27 Set 11


Começo a sofrer de germanofobia. Talvez porque na minha infância e juventude vi demasiados filmes de guerra, a imagem do nazi louco que queria dominar o mundo nunca saiu do meu inconsciente. Não é politicamente correcto dizer-se isto, mas não será esse também o inconsciente colectivo alemão? Cada vez que a senhora Merkel fala não consigo deixar de vislumbrar um Honecker de saias. Sim, porque também Honecker era um nazi. O único que terá dúvidas se a RDA não era uma democracia será o inefável Bernardino Soares. Depois de ler no aventar que a dívida da Alemanha pode ascender a 185% do seu PIB, cada vez mais me convenço que não é a hipocrisia que comanda Merkel. Trata-se de um fuga para a frente, de esconder os seus próprios podres apontando os dos outros. O "exemplo" alemão é um mito, o bezerro de ouro contemporâneo nesta Babel europeia.

Adenda: [Este comentário da Ana]

Mas também duvido que alguma vez o objectivo fosse a união da europa, pois sabemos que desde que entramos fomos subjugados, quando nos espoliaram das nossas fontes produtivas, tornando-nos dependentes. E as relações de dependência não são saudáveis. A pseudo-união só serviu para tentar fazer frente aos EUA e de certa forma controlar os ânimos bélicos dos países europeus, e como todas as relações falsas não se aguentaram muito tempo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

défice democrático, superavit gastronómico

por Fernando Lopes, 26 Set 11


Pode-se acusar Alberto João jardim de ser despesista, mentiroso, prepotente, manipulador, o que se quiser. No entanto num momento de sinceridade subliminar a página do PSD Madeira foi alojada num domínio .com. Embora no continente, em tempo de eleições, as maratonas de vitela assada sejam frequentes, os jantares-comício da Madeira ultrapassam o habitual e prometem que nenhum madeirense vá votar de barriga vazia. No site da campanha de um total de dez "notícias", sete referem-se a reuniões partidárias com repasto incluído. Como se poderá verificar aqui, todas as acções de campanha previstas de 26 a 30 de Setembro passam pela paparoca.

Suponho que na Madeira a falta de imaginação gastronómica seja idêntica à do continente, servindo-se dia sim, dia sim, doses cavalares de espetada em pau de louro. Pede-se pois a intervenção de Cavaco Silva que já demonstrou amiúde preocupação, interesse e até um certo encantamento com as actividades dos bovinos. É que em 37 anos de democracia já milhares de vacas e vitelas foram assassinadas em nome do bloco central. Pode haver défice democrático mas está garantido um superavit gastronómico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mulheres sauditas votam ... em 2015

por Fernando Lopes, 26 Set 11

Numa sociedade medieval em que a classe média saudita se recusa a trabalhar e brinca aos "homens de negócios", em que os imigrantes desempenham tarefas consideradas menores e vivem em condições miseráveis, o facto de as mulheres poderem votar em 2015 parece-me pouco. Sentada sobre as suas imensas reservas de petróleo e gás natural e com o beneplácito do amigo americano, a família real saudita consegue perpetuar um regime medieval no Séc. XXI. Classificar uma insignificante alteração legislativa como reforma extraordinária, é certamente excesso de optimismo. É importante lembrar que a Arábia Saudita só aboliu a escravatura em 1962.

Autoria e outros dados (tags, etc)

do meu baú

por Fernando Lopes, 25 Set 11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Pág. 1/6

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

subscrever feeds