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alien

por Fernando Lopes, 15 Ago 11



"Pedro Passos Coelho, por via do sol ou dos churrascos a mais na Manta Rota, apareceu ontem na festa do PSD do Pontal com um discurso alienígena. Em plena crise do euro, com o ministro das Finanças alemão a boicotar qualquer hipótese de títulos de dívida pública europeia, com George Soros a dizer que a única saída que Portugal tem é abandonar o euro, Passos Coelho faz um discurso de "bom aluno" da troika - mas que na altura em que a Europa se encontra, é uma conversa típica de "nerd". 


É espantoso como Pedro Passos Coelho conseguiu isolar a crise portuguesa como se não estivesse englobada na crise do euro. O que ontem Passos Coelho repetiu foi uma espécie de discurso do "orgulhosamente sós" versão dívida. Sim, é bom culpar Sócrates que, aliás é culpado de muita coisa, incluindo de gastos inconcebíveis para propaganda eleitoral. Mas é difícil de perceber como é que um primeiro-ministro tem da crise do euro uma versão tão tosca.



As coisas agravaram-se para a zona euro desde que Sócrates saiu do poder. A situação portuguesa pode estar melhor em termos de juros da dívida - pagamos menos juros que há quatro meses atrás - mas está pior porque de um momento para o outro, tudo pode implodir. E, assim de um momento para o outro, os nossos empréstimos negociados nos velhos tempos de juros inexistentes de repente podem ser convertidos no bom e velho escudo, levando à catástrofe económica e financeira. A ameaça que paira sobre as economias italiana, espanhola e francesa, sem que a Alemanha dê mostras de qualquer cedência é insustentável. A reunião de amanhã entre um já muito acossado Sarkozy e Angela Merkel pode não servir para nada. A entrevista do ministro alemão das Finanças ao Spiegel foi já a antecâmara dessa conclusão: da esquerda à direita, já todos concluiram que a única maneira de resolver a crise do euro é mais federalismo com a emissão dos famosos eurobonds, títulos de dívida pública europeia. Mas a Alemanha não vai deixar. 


Devíamos estar todos doidos (incluindo os tais grandes líderes europeus que já não existem, como Jacques Delors) quando deixámos a Alemanha controlar o euro: ou seja, quando aceitámos passivamente que a moeda única fosse uma cópia do marco alemão e o BCE um émulo do Deutsche Bank. Um país miserável como o nosso, com uma fraquíssima estrutura produtiva que ainda foi mais prejudicada com as das negociações das quotas agrícolas e de pesca, passou a viver com uma moeda equivalente ao marco alemão, para felicidade de todos. Isto é insustentável, mas neste momento a bem-amada União Europeia também parece insustentável. Que nada disto pareça interessar ao alienígena do Pontal, que volta candidamente a anunciar que vai cortar nas despesas mas não diz como, e que acha que "a salvação portuguesa" depende exclusivamente de "nós próprios" é deveras impressionante. Que Pedro Passos Coelho não perceba que este tipo de conversa de "nerd" se vai virar contra si na próxima esquina é muito estranho. E entre tantos especialistas contratados, não há ninguém que lhe explique isto?"

Ana Sá Lopes no i
Banda sonora - Englishman in New York (Sting)

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Sci-Fi e Fantasia

por Fernando Lopes, 15 Ago 11


Hoje, ao olhar para a estante, encontrei alguns dos livros da minha juventude. Entre os 16 e os 19 anos fui consumidor compulsivo de ficção científica e fantasia. Eram livros de bolso da Europa América, baratos, simples, divertidos e com grandes autores. Tal como hoje a sci-fi e fantasia era os parentes pobres da literatura. A saga de "O Senhor dos Anéis" recuperou de novo este género de literatura popular reabiltando-a aos olhos de muitos embora outros tantos ainda hoje a considerem um género menor.

Não sou um especialista em literatura, apenas um consumidor de livros pelo prazer de um boa "estória". Ainda hoje sigo esta máxima, descrita pelo meu amigo Ricardo de uma maneira simples mas efectiva e profundamente despretensiosa. "Ler é um prazer, não um dever". Tenho por isso grandes lacunas no conhecimento dos clássicos. Se o livro não me "agarra", se não me sinto preso à narrativa e aos personagens, pura e simplesmente abandono-o. Ainda mais assustador, são os livros que as pessoas dizem ter lido mas que mas que têm na estante apenas para dar impacto intelectual. Existe muita mentira e pedantismo no mundo dos livros.

Quase trinta anos depois continuo a encarar a leitura como um divertimento, sem procurar nela a revelação do sentido da vida. Amigos por obrigações profissionais e académicas são obrigadas a ler obras intragáveis. Tenho a sorte de não carregar tais fardos. Ler, ainda e sempre um prazer simples de um homem simples.

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Gabriel (Nunca Serão)

por Fernando Lopes, 15 Ago 11

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