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A viagem

por Fernando Lopes, 13 Jul 11

Hoje, sem saber porquê, recordei-me das primeiras viagens até ao Algarve. Seria no início dos anos 70. A autoestrada começava no Porto e acabava em Vila Nova de Gaia. Dois dias de viagem. Uma família de quatro com bagagens num mini. Dos antigos. O meu pai tinha uma grelha que agarrava ao tejadilho do carro, com porcas e parafusos, para colocar as malas. Todos os preparativos antecediam a excitação de uma grande viagem. E era grande. Tão grande, tão prolongada, que nos eu e o meu irmão nos distraiamos a escrever num papel as localidades por onde passávamos. Albergaria, Águeda, Venda das Raparigas. Porque muito que pedíssemos, o pai nunca nos explicou porque é que aquele sítio se chamava assim. Acho que não sabia. A chegada a Vila Franca de Xira significava o passar de uma fronteira. Daí a pouco estaríamos a caminho de Grândola, a nossa vila de pernoita. Sim, que aquilo não se fazia num dia só. Os pais aproveitavam para descansar. No dia seguinte, subiríamos a intransponível serra algarvia. Atrás de camiões carregados de cortiça, a 20 kms à hora nas subidas mais difíceis. A viagem não tinha como único objectivo chegar ao destino. Era por si, uma aventura familiar.

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o pardal

por Fernando Lopes, 13 Jul 11

A hora de almoço é agora diferente. Todos os dias sou visitado por um pardal. Selecciona criteriosamente a comida que lhe lanço. Arroz leva para o ninho. Pão e respectivas migalhas são comidas ali mesmo. Todos os dias, à mesma hora. Já o ano passado, pelo início do verão, tinha cumprido este ritual. Tornou-se pássaro de estimação. Estranhos mecanismos os da memória animal.

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