Quinta-feira, 30.06.11

"As Obras-Primas de T.S. Spivet" de Reif Larsen


"nunca houve um mapa completamente correcto, e o casamento entre a verdade e a beleza nunca foi duradouro."

Ele há livros e livros. E quando um livro se transforma simultaneamente num mapa de memórias (reais ou ficcionadas)? Quando se torna um objecto tão belo como um quadro, com ilustrações, esquemas e anotações de um prodígio de 12 anos? Assim é "As Obras-Primas de T.S. Spivet" de Reif Larsen. Assisti à apresentação do livro e do autor na LeV de Matosinhos. O que me levou até lá tinha um nome. J. Rentes de Carvalho. A provar que os bons livros e as boas surpresas são como as cerejas, andam aos pares, eu e o meu compadre de leituras Ricardo Gonçalves, trouxemos como brinde uma apresentação interessantíssima de um jovem com uma saudável obsessão por cartografia. A obra é brilhante desde o modo como a trama se desenvolve, passando pela leveza (que não ligeireza) da escrita, até às anotações que povoam o livro. Para saber mais, visitem a estante acidental. Os meus agradecimentos ao Ricardo pela introdução a esta magnífica obra e autor.

Fernando Lopes às 23:42 | link do post | comentar
Quarta-feira, 29.06.11

Cabrões, a Idade Média já terminou!!


Já era conhecida a notícia que nesse eixo de modernidade e tolerância que é a Arábia Saudita as mulheres eram proibidas de conduzir. Nunca nenhuma até agora tinha sido presa por isso. E se elas quiseram conduzir, é bater-lhes. Já avisaram estes cabrões que a Idade Média terminou?


"RIYADH: A campaign has been launched on Facebook calling for men to beat Saudi women who drive their cars in a planned protest on June 17 against the ban on women taking the wheel. The call comes as activists are demanding the release of Manal Al Sharif, a Saudi woman who was jailed for defying the ban."

Fernando Lopes às 23:39 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Terça-feira, 28.06.11

A última coisa com que os muçulmanos se deviam preocupar


Como ateu, procuro ter um posicionamento equidistante das religiões. Nenhuma é conhecida pelo seu sentido de humor. Os muçulmanos são, no entanto,  particularmente sensíveis às brincadeiras com os seus símbolos religiosos ou culturais. Em 2005 o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou um série de cartoons sobre Maomé que causaram imensa polémica no mundo árabe. Agora com Mickey o caso tem outras implicações. Naguib Sawiris, um empresário copta do Egipto, publicou no seu Twitter, um cartoon com Mickey e Minnie com vestes tradicionais islâmicas. Sawiris é proprietário do jornal "al-Ahram" e de uma companhia de telefones móveis. Logo surgiram os incentivos ao boicote às suas empresas. Depois temos as implicações políticas. O empresário é um dos fundadores do Partido dos Egípcios Livres e o cartoon já havia circulado como piada relativamente à possível tomada de poder pela Irmandade Muçulmana com a frase "este é o futuro do Egipto". Sinceramente a última coisa com que os muçulmanos se deviam preocupar era com a imagem.

Fernando Lopes às 23:37 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 27.06.11

Porco Preto


Estas férias estão a transformar-me numa espécie de porco preto. Gordo e muito escuro. O que me vale é que também tenho os meus secretos ...
Fernando Lopes às 23:36 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 26.06.11

uma injecção atrás da orelha no Medina=diminuição dos custos do estado social


Marreta Medina, dá mais uma das suas entrevistas. Desta vez as vítimas são os leitores do i. Acha que direita e esquerda são conceitos sem sentido. Tal e qual a direita vem dizendo há pelos menos três décadas. Um dos problemas que preocupa Medina é o de  que "temos um Estado social que alimenta mais de 5 milhões de pessoas entre funcionários, desempregados, doentes e pensionistas." Eu cá tenho a solução para os problemas demográficos do velho Medina. Pensionistas salazarentos, é dar-lhe uma injecção atrás da orelha. Faz as contas Medina, e vais ver a massa que se poupava...

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Fernando Lopes às 23:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)

فصل الربيع كما وصل في سوريا


Já passaram mais de cem dias sobre o início da revolução síria. Finalmente foi permitido o acesso de jornalistas ao país de Bashar al-Assad. Em ambiente controlado, as imagens que chegam via Skynews, são as que o governo permite. Dão-se vivas não muito convictos a al-Assad e afirma-se que a agitação (afinal, ela existe) é obra de estrangeiros e extremistas árabes. Curioso como qualquer ditador árabe merdoso de Khadafi a Mubarak agita o fantasma do extremismo islâmico para convencer os ocidentais e os próprios árabes a aceitarem as suas ditaduras. Num universo paralelo, surgem os vídeos sobre a repressão colocados no youtube. Para encenação juntar 10.000 pessoas numa praça parece desproporcionado. Nem o governo sírio é capaz de tanto. Parece que é nos subúrbios de Damasco que está a semente da revolta. É uma dinastia  corrupta num estertor e espero que o golpe de misericórdia seja breve.
Fernando Lopes às 00:52 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 25.06.11

Columbo, herói imperfeito


Em tempos idos os inspectores eram todos como Columbo. Não precisavam de um look de modelo, podiam andar com uma gabardine em pleno estio. Podiam ser vesgos, distraídos, humanos. Podiam fumar em público sem serem vítimas de um auto de fé sanitário. Esta humanidade desapareceu da maioria das séries de hoje.Passei muitas horas a ver Peter Falk e o seu Columbo. Fazem-nos falta heróis com imperfeições.

Fernando Lopes às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 24.06.11

Para quê?

Interrogo-me sobre a necessidade que temos de mais informação. Vivemos na sociedade da comunicação, mas não seríamos mais felizes sem ela? Para quê ler jornais, revistas, livros supostamente imperdíveis, assistir a debates, ler crónicas e blogues? Para quê se as certezas de hoje são as dúvidas de amanhã? Para quê esta ansiedade de querer saber sempre mais, de chegar ao íntimo das coisas e das suas causas? Para quê se mais e mais informação só me tornam mais céptico em relação a tudo e a todos, transformando-me num Diógenes de pacotilha?

Não estará na hora de regressar à trivialidade dos dias não pensados, das causas não defendidas, do é assim porque é assim? Não seria tudo tão mais simples? Questionar-me não me transforma num homem mais feliz, apenas mais ansioso e consciente da sua ignorância. O regresso ao básico, à vida vivida sem preocupações filosóficas ou políticas não será o caminho a seguir? Acho que vou passar a comprar "A bola". Por mais que tente, o conhecimento e as certezas cada vez mais se me escapam, ficando apenas a angústia e a impotência de ser um figurante obscuro nesta tragédia em que se vai transformando o nosso mundo, o nosso país, a nossa vida ...
Fernando Lopes às 01:38 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 23.06.11

anarco-cão

 


Este cão é dos meus! Eu também detesto os porcos! Se algum dia precisares de abrigo e ração da boa, podes bater cá à porta.

Fernando Lopes às 00:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 22.06.11

"Audácia, mais audácia, sempre mais audácia"


Durante a revolução francesa George Danton disse "Audácia, mais audácia, sempre mais audácia". Como sabem a meia-dúzia de amigos que acompanham o purgatório, tenho um certo desprezo por personagens consensuais, daqueles que agradam a todos da esquerda à direita. E escrevo sobre um homem dos que inventaram a esquerda, um jacobino, que se sentava à esquerda na Assembleia Nacional, ao tempo da revolução francesa. Desde "pioneiro revolucionário" e "grande patriota" a "corrupto e violento", foi visto como um gigante revolucionário ou como sanguinário e interessado unicamente no poder. Prefiro os homens assim, controversos até na sua morte. Foi guilhotinado e terá dito "a minha única tristeza é que vou antes de Robespierre". Voltou a Paris para combater o reino do terror implantado pelos jacobinos, a limpeza decidida por Robespierre e imposta pelo governo revolucionário de então. Porque é que me lembrei disto? Por causa de certas purgas, disse e não disse, e do que actualmente se passa no BE. Impossível não estabelecer um paralelismo histórico. Quem é quem nesta história cumpre-vos decidir ...

Fernando Lopes às 00:30 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Terça-feira, 21.06.11

Estado de negação?

Sem acesso aos canais portugueses de notícias (afinal estou no Allgarve) e consequentemente sem poder assistir ao espalhanço ao vivo, do troca-tintas mor do reino, de seu nome Fernando Nobre, passei uma pequena parte da tarde a ver um debate na Câmara dos Comuns sobre a situação financeira mundial e o posicionamento do Reino Unido face ao segundo regaste à Grécia. Os ingleses afastam-se do euro como na idade média se afastavam os leprosos.

Algumas frases a reter do debate:

"O euro vai colapsar."

 "O Reino Unido só participa no resgate à Grécia através da sua participação no FMI."

 "Recusamo-nos a integrar um futuro Ministério das Finanças Europeu."

 "Os franceses e alemães só estão interessados neste resgate, para assegurar a saúde financeira dos seu bancos. O Reino Unido tem investido na Grécia 1/5 do valor alemão e 1/3 do que esta deve aos bancos franceses (4 mil milhões de euros)." 

Para o observador leigo, e mesmo sabendo do tradicional chauvinismo inglês (nós somos os continentais e não eles os ilhéus), existia genuína preocupação com as interdependências europeias. Alguns parlamentares britânicos, opinavam que a saída da Grécia do euro implicaria a posterior saída de Portugal e da Irlanda e eventualmente uma crise pior que a de 2008, iniciada (ou antes apercebida) com a falência do Lehman Brothers. As consequências do fim da moeda única seriam terríveis para todos, da Grécia à Alemanha.

No fundo estamos todos no mesmo barco, mesmo que alguns insistam em assobiar para o lado e negar evidências. O espantoso, é que os britânicos parecem mais preocupados do que nós. No jornal da SIC todo o problema grego não passou de uma nota de rodapé. Estarão os portugueses em estado de negação?
Fernando Lopes às 00:14 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 20.06.11

O Villas-Boas parte? Outro virá!


Desconfio sempre das juras de amor eterno. Mas se Villas-Boas partir, outro virá. No F.C. Porto qualquer um se arrisca a ser campeão. Não o foi por três vezes Jesualdo?

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Fernando Lopes às 23:57 | link do post | comentar

A crise grega (e a nossa ...)

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Fonte: http://www.politicalcartoons.com/

A crise europeia alastra. A revolta grega e os "indignados" de Madrid são a face visível da necessidade de uma solução europeia e não se extingue atirando uns trocos às economias em dificuldades. Se não existir empenhamento do eixo franco-alemão estaremos a ver o princípio do fim do euro.

Fernando Lopes às 00:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 19.06.11

Entre a crise e a opulência


Na tranquilidade das férias, é bom por a leitura em dia, ignorar a agenda do BCE e a tragédia grega. Mesmo sempre atento às notícias tudo parece distante, de um outro país e de um outro planeta. Dias passados a ensinar a filha a nadar, num merecido dolce far niente. E no entanto entre Philip Roth e Reif Larsen, entre a praia e a piscina, encontro sinais de como a riqueza está mal distribuída e vivemos num país terceiro mundista.A quantidade de vivendas de luxo, na zona onde me encontro é atemorizadora. Não se trata de vivendas para alugar, mas de casas de férias com 6 ou 7 quartos, jardins impecavelmente tratados e carros de luxo em garagens que podem albergar vários. Estou numa parte do país (e não, não fui convidado para a urbanização da Coelha), onde famílias abastadas, têm para usar durante um ou dois meses do ano, habitações que fariam as delícias de famílias numerosas. E mesmo neste torpor de férias não consigo deixar de pensar como há gente a viver em casebres miseráveis e outros num luxo que roça a opulência. Um retrato sem final feliz do país em que vivemos.
Fernando Lopes às 23:07 | link do post | comentar
Sábado, 18.06.11

o purgatório vai a banhos ...


O purgatório faz uma pausa para ir a banhos. Nada de África ou destinos tropicais com praias paradisíacas. Vai para um destino muito mais radical. O Allgarve. Uma bela oportunidade para praticar o inglês. Porque a experiência de ser um estranho no nosso próprio país, já a passei no início dos anos 70, quando havia restaurantes que só tinham menus em inglês. Ou como uma vez respondeu o meu pai e eu próprio muito anos depois, tive oportunidade de repetir.

- O sr. é do norte, não é?
- Sou, mas fique tranquilo que não é contagioso.

Desse território quase alienígena continuarei a mandar "posts de pescada", sempre que tal for possível.
Fernando Lopes às 00:36 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 17.06.11

Mundo animal


Porque a putaria existe em todo o lado e não só no mundo animal, lembrei-me desta ...

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Fernando Lopes às 11:16 | link do post | comentar

No hospital


Hoje fui visitar um familiar ao hospital. A simpatia das enfermeiras é inexcedível, ao contrário do que dizem as más línguas. Pessoal atento e preocupado, mas uma notória falta de meios. Instalações velhas, a precisar de renovação urgente que os apertados orçamentos não permitem. Alguns pequenos mimos, como servir água engarrafada aos doentes, deixaram de existir. Mas fiquei a olhar para este corredor, onde as macas estão estacionadas. E como leigo não deixei de me interrogar. Falta de espaço para arrumação, ou estarão as macas à espera de doentes de corredor?
Fernando Lopes às 02:39 | link do post | comentar
Quinta-feira, 16.06.11

Bom senso

Depois de toda a celeuma pública, finalmente uma posição de bom senso. Bravo Serra defendeu a necessidade de realizar “outra avaliação seja de que forma for” de maneira a que seja restabelecida a “equidade entre os auditores”. Assim não são prejudicados os que não copiaram. Sem as críticas generalizadas isto não seria possível. O que prova que a net, o facebook, os blogues e todas novas formas de comunicação podem alterar atitudes corporativas.

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Fernando Lopes às 20:00 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 15.06.11

Na Grécia luta-se, aqui ficamos deitados ...


Tenho consciência de que as minhas posições sobre o dever de resistênciade um povo são partilhadas por poucos. Mas, na minha modesta opinião, a resistência dos gregos a novas medidas de austeridade é perfeitamente legítima. As medidas do FMI provaram que em vez da recuperação os gregos vêem o seu poder de compra e a sua autonomia cada vez mais limitados. Para combater o fogo, é muitas vezes necessário atear um contra-fogo. Lá luta-se, cá o povo deita-se.

Fernando Lopes às 21:50 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Um sítio surreal que se chama Portugal


Seria ridículo se não fosse grave. Uma turma inteira de candidatos a magistrados foi apanhada a copiar. Normal seria a repetição dos exames, certo? Não, são todos corridos a dez. O que prova que o crime compensa. Os que um dia poderão julgar e ter o nosso futuro na sua mão, comportam-se pior do que miúdos da primária. É assim a nossa justiça. São assim os nossos primus inter pares. Vergonhoso mas real. Num sítio surreal que se chama Portugal.

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Fernando Lopes às 19:24 | link do post | comentar
 

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