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Não se pode exterminá-los?!

por Fernando Lopes, 30 Abr 11

Não sei se Carrapatoso, provém de carrapato, deduzir-se-á que um Carrapatoso, é um homem cheio de carrapatos. Definição do dicionário priberam on-line: carrapato - s.m. carraça. O senhor (propositadamente com minúsculas) Carrapatoso é um dos rostos de um think thank liberal, composto de yuppies alienados, que leva o liberalismo às últimas consequências. As propostas do movimento "Mais Sociedade", publicadas ontem no Jornal de Negócios, são aterradoras.
Passo a exemplificar: 

  • "aumento do IVA para possibilitar a redução da Taxa Social Única paga pelas empresas." 
  • "Joaquim Góis defendeu também a privatização de empresas públicas de transporte como forma de resolver o problema das dívidas acumuladas ao longo de vários anos. " 
  • "alterar a idade da reforma, indexando-a ao aumento da esperança de vida, é uma das medidas mais eficazes" 
  • "diminuição do subsídio de desemprego"

Já depois destes "leaks" como diria o pleno de portugalidade, Zeinal Bava, lançados cá para fora para testar a opinião pública, descubro numa magnífica entrevista do emérito João Duque, na SICN, em que diz "se não temos dinheiro para o filme e para as pipocas, temos de optar pelo filme ou pelas pipocas".
Que brilhantismo sr. dr.!! Trinta e sete anos de luta pelo bem-estar de um povo reduzidos a pipocas.Não se pode exterminar estes filhos da puta?! Como carraças, animais que se alimentam do sangue dos outros, não merecem mais do que uma "sprayzada" letal.

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Porque só damos filhos únicos

por Fernando Lopes, 29 Abr 11

Isto da taxa de natalidade tem muito que se lhe diga. O i titula "Portuguesas não desistem de ser mães mas só dão filhos únicos". Tirando o infeliz da expressão "dão", que faz das mulheres algo semelhante a vacas parideiras, o que me preocupa - como unipai - é que na classe média, a regra é um filho, não dois ou três. Não sei as razões dos outros, posso explicar as nossas.

Gostaríamos de ter mais filhos. Mas tal não é possível por dois tipos de razões. Em primeiro lugar a disponibilidade de tempo é coisa que não abunda entre as mulheres e homens de hoje. As mulheres ainda e sempre mais sacrificadas, com obrigações profissionais, de carreira e domésticas que lhes transformam o dia numa maratona infindável. Os homens com jornadas de trabalho de 9 a 11 horas também não lhes sobra o tempo necessário para prestar todos os cuidados e atenção de que os seus rebentos necessitam. Sou frequentemente "forçado" a fazer de pai-mãe, e sei bem o que isso significa. Para quem quiser ter interacção e acompanhar devidamente os filhos, o tempo não é elástico e consequentemente escasseia.

Seguidamente uma razão de peso não menos significativo. Pertenço àquela classe que nunca teve, tem ou terá incentivos fiscais à maternidade/paternidade. Até o mísero subsídio de 11€ nos retiraram. Entre infantário, roupas, comida e lazer gasta-se uma pequena fortuna mensal. Como o progresso em termos de conforto tem sido uma constante nesta família, seria para mim uma imensa dor ter filhos para lhes dar piores condições do que as que tive enquanto infante. Assim, e restrito ao pequeno universo das minhas relações sociais, a maternidade só existe na sua plenitude em famílias de largos recursos, ou entre as mais pobres que por desconhecimento, negligência ou outros motivos vão tendo filhos uns atrás dos outros. A minha família é a prova viva de que a classe média se está a extinguir. Daqui a 20 anos só existirão os filhos únicos da então quase extinta classe média, os dos muito ricos e os dos muito pobres.

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Miséria moral

por Fernando Lopes, 28 Abr 11


Roubado do http://aventar.eu/

"1.000 euros por mês não é classe média, é miséria."

Diogo Leite Campos, vice-presidente do PSD, o tal que defende que os pobres devem receber um cartão de débito social para não gastarem o dinheiro mal gasto e assim ...

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Os quatro estarolas

por Fernando Lopes, 27 Abr 11

Julgava eu que o despotismo iluminado, era coisa do passado. Mentes supostamente superiores e esclarecidas, decidem o que é bom para o povo. Aconselham-nos paternalmente. O povo ouve, embevecido, as divagações destes seres peculiares. O facto de terem sido presidentes da república inoculou-os de qualquer culpa. Agora nas cerimónias do 25 de Abril os três estarolas - que afinal são quatro, como os mosqueteiros - isentam-se de responsabilidades enquanto parte activa da  governação deste pobre país. Mário Soares, Cavaco Silva, Jorge Sampaio e Ramalho Eanes, são as virgens do regime, puras e castas que nos dizem qual o caminho a seguir. Todos eles foram parte activa da desgraça que até aqui nos trouxe, mas nenhum reconhece responsabilidade de qualquer dano. Ou como bem dizem os ingleses, "Let bygones be bygones". Esquecem-se os quatro estarolas que uma parte significativa dos portugueses, não os vê como parte da solução, mas do problema. Tal como despotismo iluminado é coisa do passado, a filantropia que estes senhores sentem pelo seu povo, cheira a falso. E a ranço.

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Onte está o Olli?

por Fernando Lopes, 27 Abr 11

aqui tinha escrito, que com amigos destes não precisamos de inimigos. Agora é Olli Rehn, que parece ter duas caras. Para consumo europeu, o apoio financeiro a Portugal estará pronto em Maio. Para consumo interno, decerto temente desses monstros da democracia que são os "Verdadeiros Finlandeses" (ainda não percebi se há finlandeses falsos, tipo made in China), já muda o discursos para "E unanimidade significa a participação da Finlândia". Afinal em que é que ficamos Olli, pode-se contar convosco, ou pedimos os cobertores de volta?

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a morte saiu à rua

por Fernando Lopes, 26 Abr 11


O capitalismo selvagem tem destas coisas. Após decisões de gestão da France Telecom, um seu empregado, imolou-se pelo fogo, num parque de estacionamento em Bordéus. Resta acrescentar que este funcionário era pai de quatro filhos e tinha 57 anos. Tinha sido vítima de assédio moral, sendo frequentemente obrigado a mudar de posto de trabalho. Este é o último e talvez o mais dramático dos 32 suicídios que ocorreram na France Telecom, entre 2008 e 2009.
A revolução tunisina começou assim.

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o purgatório agora é .com

por Fernando Lopes, 26 Abr 11

Para a meia-dúzia de amigos que lêem esta coisa parecida com um blogue, tenho prazer de informar que o purgatório está agora em http://www.diariodopurgatorio.com/

Tudo deverá decorrer com normalidade, se tiverem algum problema agradeço que informem para diariodopurgatorio@gmail.com

Não se esqueçam de actualizar os vossos bookmarks com o novo endereço.

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Um silêncio comprometedor

por Fernando Lopes, 25 Abr 11


Demasiado centrados no nosso pequeno mundo, e preocupados com as medidas que nos vão afectar, eu e a maioria dos portugueses não têm dado a relevância merecida aos acontecimentos no médio-oriente. Perante o impasse líbio, decidimos esperar para ver. Os massacres que estão neste momento a ocorrer na Síria são nota de rodapé nos telejornais. Este silêncio comprometedor não terá nada a ver com o facto de o regime sírio ser considerado amigo do ocidente? Acabo de ver imagens chocantes de militares a disparar contra o povo, causando dezenas de mortos. A "amizade ocidental" mata? Parece que sim, se formos sírios...

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Se o ridículo matasse ...

por Fernando Lopes, 25 Abr 11

 


Como humilde eleitor, tendo como habilitações literárias um curso superior incompleto, tenho pelo menos a noção do privado e do ridículo. Que Pedro Passos Coelho me saiu melhor que a encomenda já não restam dúvidas. Que um dia defende a privatização do SNS e no dia seguinte o seu contrário também não é surpreendente. Afinal, temos um PM, que com o FMI a fazer as contas, ainda vive alucinado no "País das Maravilhas". De alucinados já temos a nossa conta. Agora esta deriva populista, de mau gosto, pindérica é, Pedro, o fim.


Um “homem apaixonado” que gostava de ter mais filhos. Um homem com quatro cadelas “a ficar já velhotas”
“que, ao longo da sua vida, por experiência própria, foi construindo um percurso de gestão guiado pelo bom senso”

“Faço boas farófias, papos de anjo, queijadas”

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Memórias do 25 de Abril

por Fernando Lopes, 25 Abr 11

  • Quando aconteceu o 25 de Abril eu tinha acabado de fazer onze anos. Desci a rua, cheguei ao velho D. Manuel II para a aula de trabalhos manuais e após uns minutos de hesitação fomos avisados que deveríamos regressar a casa. O meu pai foi-me buscar a casa da minha avó. Ouvi nesse dia, pela primeira vez, a palavra revolução. Vi a revolução pela televisão, não fomos para a rua, assistimos a tudo olhando para a caixa que mudou o mundo. Lembro-me distintamente, que após anos de silêncio, o meu pai ainda dizia "revolução" baixando o tom de voz.
  • Um ou dois dias depois, estranhei o facto de um homem estar a comprar um jornal banhado em lágrimas. Quando questionei o porquê dessas lágrimas, o meu pai explicou-me que era o "Avante", um jornal proibido, e que o desconhecido chorava de alegria, por finalmente poder comprar o jornal do "partido", na rua, em liberdade, como compraria outro jornal qualquer. E esse rosto, esse choro de alegria fixou-se até hoje na minha memória, como lapa agarrada à rocha.
  • Participamos no 1º de Maio. Uma festa plena de slogans de que me não recordo. Mas, a minha avó Guta estava connosco a comemorar a liberdade. Pareceu-me estranho tanta gente e tanta alegria por uma coisa que, na minha cabeça de criança, nunca tinha deixado de existir. A liberdade.

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    "mais ventosidades que uma vaca argentina"?! Já me...

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