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"Chinezificação"

por Fernando Lopes, 12 Jan 12


Nos noticiários informava-se a autorização governativa para a Soares da Costa despedir 1.000 trabalhadores. A Salvador Caetano tem grande número de despedimentos planeados. É comum dizer-se que o maior flagelo é o desemprego e que no ano que agora se inicia irá aumentar antes de diminuir. Tenho pois, enorme dificuldade em compreender que se pretenda diminuir as indemnizações por despedimento. Bem vistas as coisas não parece ser tão difícil como isso despedir, pois o número de empresas que rescindem contratos de trabalho aumenta dia-a-dia.

A alteração da legislação laboral tem como objectivo último nivelar por baixo, estender a precariedade e facilitação dos despedimentos aos trabalhadores de meia-idade que se encontram (até agora) relativamente protegidos. A ideia é criar tal desemprego e competição que com a excepção de quadros excepcionalmente qualificados, todos seremos dispensáveis. A diminuição do custo do factor trabalho faz-se não pela diminuição da TSU mas pela precarização de toda uma sociedade. Com este modelo, num futuro não muito longínquo estaremos todos a competir por um salário mínimo, o suficiente apenas para não morrermos de fome.

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6 comentários

De Fenix a 12.01.2012 às 16:10

"O homem não nasceu para trabalhar mas para criar." Professor Agostinho da Silva

Fernando,

Com tantas máquinas "inteligentes" que substituem o homem, talvez tenhamos chegado ao ponto de viragem, em que, compelidos pelos que nos querem escravizar, façamos exactamente o oposto e nos libertemos do materialismo, vivendo de forma simples e fazendo apenas o que nos dá prazer!

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 12.01.2012 às 16:46

Cara Ana,

Penso que nos anos 60 se acreditava que a informatização e robotização da sociedade estariam ao serviço da humanidade, proporcionando mais bem-estar e mais tempo de lazer. Por estranha ”revolta das máquinas”, estas apenas servem para maximizar o lucro e a produção. Apesar de uma grande salto na qualidade de vida, NMMO, o progresso serve mais o capital do que o ser humano. Como já temos conversado várias vezes, circunstancialmente vamos ser obrigados a uma vida mais minimalista. Não faço ideia se o capitalismo está a ser autofágico ou não, não tenho uma ideia para onde apontará o novo paradigma. Mas não tenho dúvidas que vivemos tempos de alterações estruturantes. O seu conceito tem o seu quê de poético, não sei é se a humanidade está preparada…

Abraço,

De bibónorte a 12.01.2012 às 21:52

Mesmo fazendo apenas o que nos dá prazer é preciso dinheiro.Só assim fala quem nunca sentiu a falta dele a sério.

De janeiro a 12.01.2012 às 22:06

Há chinezices absurdas ou quase.Luís Janeiro

De Fernando Lopes a 12.01.2012 às 22:21

janeiro,

Existia da parte dos ocidentais, uma espécie de superioridade, quando os chineses andavam de bicicleta, farda e só consumiam o essencial. Nesta quadratura do círculo que é a criação de hábitos de consumo "ocidentalizados" para a Índia e China, e face à finitude de recursos é expectável que para 2/3 da humanidade viver melhor, o ocidente tenha de empobrecer. Ou isso, ou criar um novo modelo de distribuição de riqueza mais igualitário, o que não me parece muito do agrado dos capitalistas deste mundo ...

De Fernando Lopes a 13.01.2012 às 19:27

bibónorte,

Tenho a felicidade de nunca ter passado dificuldades. Não sou rico, nunca fui pobre. Existem correntes de pensamento que procuram alternativas ao capitalismo, inclusive a troca directa de produtos ou serviços. É romântico e pouco adaptado aos tempos modernos? É. Pode funcionar em alguns segmentos específicos, cultural e economicamente distintos? Acho que pode.

Abraço,
Fernando

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